A Golegã apresentou-se na BTL 2026 com uma estratégia que reforça a identidade histórica do concelho, ao mesmo tempo que aposta na diversificação da oferta turística. O presidente da Câmara Municipal da Golegã, António Carlos Camilo, sublinhou que a presença deste ano na feira traz “algo até um pouco diferente e surpreendente”, ao colocar em destaque os 150 anos da Casa Estúdio Carlos Relvas.
“É um marco extremamente importante e a autarquia está a assinalar esses 150 anos de forma muito significativa”, afirmou o autarca, lembrando que a Casa Estúdio Relvas é “um local cultural único no mundo”. Sem negar que “a Golegã é conhecida pelo cavalo, que é o ex-libris do concelho”, António Carlos Camilo explicou que o município tem vindo a alargar o foco da sua promoção turística. “Estamos a privilegiar outros veios do turismo, não só a Casa Estúdio Relvas, mas também a Reserva Natural do Paul do Boquilobo”, destacou.
O presidente da Câmara defendeu que esta diversificação é estratégica para afirmar o território ao longo de todo o ano. “Temos feito algo diferente na Golegã e temos chamado a atenção para outras vertentes do turismo”, afirmou, apontando como exemplo o turismo literário, uma área que conta com o apoio da Entidade Regional de Turismo. “Foi um projeto que trouxemos com o executivo e que demonstra todas as potencialidades do nosso território”, acrescentou.
António Carlos Camilo destacou ainda o impacto de investimentos estruturantes no concelho, nomeadamente a recuperação da Quinta da Cardiga pelo grupo Vila Galé. “As obras já se iniciaram e vão ser levadas por diante”, garantiu. Embora admita que “vai ser muito complicado inaugurar aquele investimento ainda este ano”, mostrou-se confiante no calendário previsto. “Estou plenamente convencido de que será mais uma fonte de turismo no primeiro trimestre do próximo ano”, afirmou, considerando que este projeto reforça a capacidade de alojamento e qualifica a oferta.
A articulação institucional foi outro dos pontos sublinhados pelo autarca. “Esta articulação com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo tem sido importante e tem havido um excelente relacionamento”, afirmou, realçando que o trabalho conjunto tem permitido promover a Golegã de forma mais integrada e eficaz.
Apesar das novas apostas, o presidente foi claro quanto ao peso da tradição equestre. “Quer queiramos quer não, o mais valioso do nosso concelho é o referencial do cavalo”, afirmou. A Feira Nacional do Cavalo e a Feira Internacional do Cavalo Lusitano continuam a ser os grandes momentos do calendário anual, mas o município tem introduzido novas dinâmicas. “Dentro desta lógica rural do nosso concelho, pretendemos também promover outros certames”, explicou, referindo o Festival do Campino, iniciado há dois anos e que este ano se realiza entre 24 e 26 de abril.
O autarca salientou que a programação cultural vai além dos grandes eventos ligados ao cavalo. “Vamos ter outros certames da nossa vida cultural que são importantes para enaltecer a vida coletiva da Golegã”, afirmou, destacando também o envolvimento das freguesias. “Azinhaga e Pombalinho estão a trabalhar em articulação connosco, município, no sentido de promover todos estes eventos”, acrescentou.
No plano da cooperação territorial, António Carlos Camilo valorizou o trabalho desenvolvido no âmbito da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. “Desde a primeira reunião neste mandato que há interesse em haver articulação entre os 11 municípios”, afirmou. A posição geográfica da Golegã permite ainda estabelecer ligações com concelhos vizinhos que integram outra comunidade intermunicipal. “Temos o privilégio de fazer interligação com municípios como Entroncamento, Vila Nova da Barquinha e Torres Novas”, referiu.
Para o presidente da Câmara, esta localização estratégica é uma vantagem competitiva. “Somos uns privilegiados, embora estejamos numa linha de limite, por pertencermos a uma zona também ela privilegiada do Ribatejo”, concluiu.













