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Golegã quer transformar o Hippos num polo equestre de referência internacional

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O Hippos, Centro de Alto Rendimento de Desportos Equestres da Golegã, está a ganhar uma nova centralidade no mapa equestre nacional. Para Diogo Rosa, vice-presidente da Câmara, a infraestrutura é hoje muito mais do que um recinto de provas: é um polo de treino, competição, formação e atração económica, pensado para funcionar ao longo de todo o ano.

“Integra formação, competição e treino” é, em síntese, a leitura que o autarca faz do equipamento, sublinhando que o Hippos foi concebido para acolher seleções, cavaleiros, alunos e eventos desportivos, com impacto direto na dinâmica local. A própria autarquia tem vindo a insistir nessa vocação multifuncional, articulada com o desporto, o turismo e a qualificação profissional.

Diogo Rosa lembra que o Hippos é “o único centro de alto rendimento de desportos equestres do nosso país” e que reúne condições para acolher o treino das nove disciplinas reconhecidas pela Federação Equestre Portuguesa. A gestão é partilhada entre Câmara Municipal, IPDJ e Federação Equestre Portuguesa, num modelo que junta propriedade, financiamento e dinamização desportiva.

O autarca explica que a infraestrutura tem recebido treinos de seleções nacionais e de equipas estrangeiras, além de cavaleiros portugueses, reforçando o papel da Golegã como destino de preparação e competição. Ao mesmo tempo, o espaço afirma-se como palco regular de provas, sobretudo nas disciplinas olímpicas da dressage e dos saltos de obstáculos, sem excluir equitação de trabalho e horseball.

A leitura que a autarquia faz do passado do equipamento é crítica. Segundo Diogo Rosa, o Hippos esteve muitos anos fechado ou quase inativo depois da inauguração, em 2010/2011, tendo funcionado de forma residual entre 2013 e 2017, sobretudo com três ou quatro competições por ano. O executivo liderado por António Camilo diz ter encontrado um espaço com debilidades estruturais que limitavam a sua utilização.

Entre os problemas apontados estão a falta de iluminação, a inexistência de um picadeiro coberto e até uma pista de galope sem as dimensões e a curvatura adequadas para esse fim. “Era uma pista que não servia para nada”, resume Diogo Rosa, defendendo que o município decidiu reorientar o investimento para infraestruturas realmente úteis à prática equestre.

A formação é um dos pilares da estratégia para o Hippos. Desde 2022, o centro acolhe o curso de gestão equina, que já vai a caminho do quarto ano de funcionamento, com alunos do 10.º, 11.º e 12.º anos do Agrupamento de Escolas da Golegã a terem ali a componente prática e parte da teórica específica.

Diogo Rosa argumenta que não fazia sentido a Golegã ser “a capital do cavalo” sem formação especializada ligada ao setor. A aposta, afirma, encaixa na identidade do concelho e permite que os jovens aprendam no próprio local onde acontecem treinos e competições, num contexto que considera único no país.

O curso beneficia ainda de cavalos cedidos pela Coudelaria de Alter do Chão e pela Companhia das Lezírias, disponibilizados ao município para apoio à formação. Segundo o vice-presidente, essa articulação entre entidades públicas e estruturas do setor ajuda a consolidar uma base técnica para o futuro das coudelarias, dos profissionais do cavalo e do turismo equestre.

A vertente competitiva é outra peça central da estratégia municipal. Em 2025, a Golegã teve 25 fins de semana com competição, além da Feira do Cavalo, da Expo Égua e de outras provas organizadas por entidades externas, o que, segundo Diogo Rosa, demonstrou a capacidade do Hippos para combater a sazonalidade e prolongar a atividade económica ao longo do ano.

“O ano passado tivemos aqui 25 fins de semana com competição”, lembrou o autarca, sublinhando o efeito multiplicador desses eventos na restauração, no alojamento local e no comércio. Os números citados por Diogo Rosa apontam para centenas de participantes por prova, acompanhados por tratadores, veterinários, equipas técnicas e visitantes, numa cadeia que se estende ao consumo local.

A Câmara quis ainda subir o nível das competições. Diogo Rosa destaca a realização de um concurso internacional de dressage, já no segundo ano consecutivo, como sinal de aposta financeira do município e da Junta de Freguesia da Golegã. O objetivo é atrair juízes internacionais, aumentar o prestígio das provas e trazer à vila cavaleiros e cavalos de outra dimensão competitiva.

Ao longo dos últimos anos, o município foi intervindo em várias frentes. Diogo Rosa refere a substituição e melhoria de pisos, o reforço da vegetação envolvente, a criação de arbustos e árvores à volta do picadeiro e a instalação de uma cortina de eucaliptos para proteger do vento dominante de noroeste.

Essas alterações, diz, não são meramente estéticas. Os arbustos ajudam a criar barreiras visuais e físicas que tornam os cavalos mais calmos em prova, enquanto as árvores oferecem sombra a espectadores e cavaleiros e tornarão o recinto mais agradável à medida que crescerem. Houve também investimento em obstáculos, novas boxes e na adaptação de vários espaços interiores.

As antigas salas de uma clínica veterinária, por exemplo, foram reconvertidas em salas de aula e de formação para o curso e para ações da Federação Equestre Portuguesa. No exterior, além dos balneários e dos apartamentos, o município aproveita agora os espaços para alojar os alunos do curso, dividindo a ocupação entre os estudantes masculinos e femininos.

A principal obra em perspetiva é o picadeiro coberto, considerado por Diogo Rosa a peça em falta desde a origem do centro. O projeto prevê uma estrutura com dimensões de prova de 40 por 80 metros, bancadas para cerca de 250 espectadores, tribuna de júri e cobertura integral, além de iluminação. O investimento deverá ultrapassar 1,2 milhões de euros, com financiamento já assegurado pelo Comité Olímpico Português e apoio do programa estatal para centros de alto rendimento.

Segundo o vice-presidente, a verba já foi parcialmente transferida para o município e a empreitada será lançada em breve. A construção deverá permitir que as provas, os estágios e os treinos deixem de depender do estado do tempo e da luz natural, um problema recorrente sobretudo no inverno, no outono e até em alguns períodos da primavera.

Diogo Rosa ilustra a necessidade com um exemplo concreto: um estágio de seleção nacional chegou a ser cancelado porque o treinador, vindo do estrangeiro, já se encontrava em Portugal quando a chuva inviabilizou a atividade. “Isso é uma realidade. Que não faz sentido”, observou.

Para o autarca, o futuro do Hippos passa por consolidar a vertente competitiva e manter a formação como base permanente da atividade. O objetivo é ter atletas a treinar todo o ano, compatibilizando o uso do centro com a vida escolar e criando condições para que o espaço funcione mesmo em dias de chuva ou ao final da tarde.

A ambição vai mais longe. Diogo Rosa admite conversações com a Federação Equestre para uma espécie de academia de hipismo e quer atrair seleções de países do norte da Europa, onde o inverno é mais rigoroso, para estágios e competições em Portugal durante os meses frios. A ideia é transformar a Golegã num destino regular de treino internacional, com ocupação contínua e impacto duradouro na economia local.

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