No distrito de Santarém, onde se registam anualmente cerca de cinco mil acidentes rodoviários, as Estradas Nacionais 118, 119 e 251, especialmente nos trechos que atravessam os concelhos de Coruche e Benavente, são as que apresentam os acidentes mais graves e mortais. Diante desse cenário, as autoridades, em particular a GNR, a Infraestruturas de Portugal (IP) e os municípios, decidiram tomar medidas para mitigar este flagelo na região.
Esta quarta-feira, no Comando Distrital da GNR em Santarém, decorreu uma reunião que juntou autarcas, GNR, Proteção Civil e Infraestruturas de Portugal, e que, entre outros, contou com a presença do Presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Pedro Ribeiro; do Presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho; do Comandante do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Lezíria do Tejo, Hélder Silva, e do Gestor Regional de Leiria e Santarém da IP, Vítor Sequeira.
De acordo com o Coronel Duarte da Graça, Comandante da GNR de Santarém, este encontro surgiu depois de as entidades constatarem que “é preciso dizer ‘basta!’ ao flagelo vivido nas estradas da região”, sobretudo no sul do distrito de Santarém, onde vários fatores contribuem para os elevados números da sinistralidade rodoviária.
Com especial foco nas Estradas Nacionais 118, 119 e 251, todas as entidades vão ser envolvidas em ações que vão não só alertar os condutores para a necessidade de uma condução adaptada às condições das vias, mas também melhorar as próprias vias, tendo a Infraestruturas de Portugal reconhecido igualmente algumas intervenções que urgem ser realizadas.
Em estradas onde cerca de 15% do tráfego é composto por veículos pesados de mercadorias, o Coronel Duarte da Graça anunciou que será efetivado um “reforço da fiscalização”, que passará, primeiramente, por uma “auditoria às vias”, de modo a identificar as ações primordiais para o reforço da segurança, como a intervenção no piso e nas bermas das estradas, a colocação de novos radares de velocidade média e instantânea, o reforço da sinalização vertical e também ações de fiscalização levadas a cabo pela GNR.
“Esta não será somente uma ação de fiscalização rodoviária…”, referiu Duarte da Graça, acrescentando que, entre as ações que vão ser desenvolvidas pela GNR, estão também iniciativas de sensibilização “que se vão iniciar nas escolas”, envolvendo ainda os militares da Secção de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário – Escola Segura.
Em parceria com a Comunidade Intermunicipal, poderão também ser realizadas ações de sensibilização vocacionadas para a comunidade em geral, alertando para a necessidade da adoção de uma condução responsável e defensiva.
Numa região em que o trânsito pesado e o uso de máquinas agrícolas são também importantes para a economia local, o responsável da GNR referiu que esta não será uma “perseguição”, mas sim um alerta para que todos possam evitar a ocorrência de acidentes graves.
Carlos Coutinho, Presidente da Câmara Municipal de Benavente, que marcou presença na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, espera que as intervenções anunciadas pela Infraestruturas de Portugal para a EN118, programadas para 2027-2030, possam contribuir para a diminuição da sinistralidade no seu concelho.
O autarca não deixou, no entanto, de demonstrar preocupação com o que tem sido o sucessivo adiamento do Plano Rodoviário Nacional, que, se tivesse sido implementado a tempo, já teria proporcionado à região outro tipo de estradas, que certamente teriam evitado muitas das mortes verificadas.
Com a construção do novo aeroporto na ordem do dia e o previsível aumento do tráfego pesado no concelho de Benavente, Carlos Coutinho tem a expectativa de que o Governo acautele todas as necessidades do seu concelho.
Segundo o Coronel Duarte da Graça, a partir de agora será efetivada “uma melhor coordenação” entre todas as entidades, com o objetivo de “salvaguardar a vida humana”, pois “uma vida que se perca (na estrada) é um dano irreparável”.
As entidades irão também criar uma “Comissão de Acompanhamento”, a exemplo do que existiu anteriormente, com o objetivo de monitorizar os trabalhos e encontrar as melhores soluções para o flagelo dos acidentes na região.
Nos próximos meses, é assim expectável que haja um aumento da fiscalização rodoviária na região, com especial incidência na EN118, 119 e 251, para onde estão também previstas intervenções. No entanto, além da EN118, cujo projeto já está concluído, ainda não são conhecidas outras intervenções.





