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Festival de Estátuas Vivas relembra profissões tradicionais da região e do país

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Foto por: CMS
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O Centro Histórico de Santarém recebe, entre 7 e 9 de agosto, mais uma edição do Festival de Estátuas Vivas, este ano dedicado às profissões tradicionais que marcaram o Ribatejo e diferentes regiões do país.

A edição conta com cerca de 20 estátuas vivas, que vão representar personagens como o resineiro, o campino, o cesteiro, o carpinteiro, o alfaiate, o sapateiro e o calafateiro, entre outras profissões que desapareceram ou são hoje exercidas de forma residual.

António Santos, produtor do festival, explica que a temática nasceu da vontade de recuperar personagens ligados às profissões antigas e a algumas atividades particularmente associadas ao Ribatejo. O objetivo passa por recordar tradições e profissões que fazem parte da memória coletiva, mas que já não existem na região como eram conhecidas há 20 ou 30 anos.

Embora algumas das figuras representadas sejam específicas da região, o festival pretende apresentar um conjunto diversificado de profissões reconhecidas em todo o país. O campino assume, naturalmente, um lugar de destaque enquanto uma das figuras mais marcantes da identidade ribatejana.

“É um mix” entre profissões antigas reconhecidas em todo o território nacional e outras mais ligadas ao Ribatejo, explicou António Santos, destacando a importância de preservar as raízes e manter viva a memória das comunidades.

A preparação das estátuas envolve várias etapas, desde a construção dos personagens à elaboração dos figurinos. Alguns trajes podem demorar cerca de um mês a ser preparados, enquanto outros exigem aproximadamente uma semana de trabalho.

O elenco deste ano reúne participantes com experiências internacionais e distinções obtidas em festivais da especialidade. António Santos sublinha, contudo, que a experiência de uma estátua viva pode resultar de diferentes caminhos, incluindo a transmissão familiar, o treino ou simplesmente o gosto por esta forma de expressão artística.

“”Mais do que permanecer imóvel, uma estátua viva deve controlar todos os movimentos e reagir apenas de acordo com o personagem representado. Um carpinteiro poderá simular algumas marteladas e um campino poderá recriar o gesto de conduzir o gado na lezíria, mas os artistas não devem reagir diretamente aos comentários ou às provocações do público” explica o produtor.

António Santos, que conta com 39 anos de experiência como estátua viva, considera que a imobilidade é o elemento central desta forma de arte. Se a pessoa estiver em movimento constante, trata-se de teatro; numa estátua viva, os momentos de pausa devem ser assumidos com rigor e concentração.

“Quando paro, paro como deve ser. E quando me mexo, mexo-me de acordo com o personagem que estou a fazer”, afirmou o produtor, defendendo que esta disciplina exige treino e não está ao alcance de todos.

Com uma temática centrada na memória e nas profissões tradicionais, a organização espera manter a tendência de crescimento registada pelo festival desde as primeiras edições e atrair visitantes ao Centro Histórico de Santarém ao longo dos três dias do evento.

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