O aroma da Sopa da Pedra voltou esta quarta-feira, 26 de agosto, a tomar conta de Almeirim, com a inauguração da 12.ª edição do Festival Nacional da Sopa da Pedra, certame que até domingo deverá servir cerca de 12.500 doses do ex-líbris gastronómico da cidade e receber entre 15 mil e 20 mil visitantes.
A cerimónia oficial de abertura juntou representantes da organização, autarcas e responsáveis do turismo, num festival que volta a ter como protagonistas a gastronomia, o movimento associativo e os produtos locais.
Luís Manso, grão-confrade da Confraria Gastronómica de Almeirim, entidade responsável pela organização, declarou oficialmente aberto o certame, sublinhando que Almeirim volta a afirmar-se como a “grande capital da Sopa da Pedra”.
“Este festival é muito mais que um evento gastronómico. É a celebração da nossa gastronomia local e do admirável espírito associativo que define e enriquece a nossa terra”, afirmou Luís Manso, destacando que a realização do evento resulta da “força coletiva e da união de toda a nossa comunidade”.
O responsável deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos voluntários, que classificou como “o verdadeiro coração do festival”, assim como às associações, expositores, patrocinadores e entidades que apoiam a iniciativa.
Ao longo dos cinco dias deverão ser confecionados cerca de quatro mil litros de Sopa da Pedra, correspondentes a aproximadamente 12.500 doses. O recinto conta com a participação de 14 associações do concelho, 11 responsáveis pelas tasquinhas e três pela exploração de bares.
As associações praticam os mesmos preços e disponibilizam os mesmos produtos, seguindo uma regra existente desde as primeiras edições. As receitas obtidas revertem para as próprias coletividades, constituindo uma importante fonte de financiamento para a atividade associativa local.
A chef Irene Pimenta, madrinha do Festival da Sopa da Pedra, destacou durante a inauguração o valor cultural e identitário do prato mais conhecido de Almeirim.
“A Sopa da Pedra é muito mais do que um prato, é uma história, uma tradição e um símbolo de partilha”, afirmou, defendendo a importância de continuar a transmitir a gastronomia tradicional às novas gerações.
“Preservar a nossa cozinha é também preservar a nossa história”, acrescentou Irene Pimenta, que terminou a intervenção com um elogio ao produto que dá nome ao festival: “Viva Almeirim! Viva a Sopa da Pedra! Viva esta maravilha gastronómica portuguesa!”
Nesta 12.ª edição, Ferreira do Alentejo é o município convidado. O presidente daquela Câmara Municipal, Luís Pita Ameixa, destacou as semelhanças existentes entre os dois territórios, sobretudo através da agricultura, e deixou aberta a possibilidade de Almeirim marcar presença em 2027 na Feira do Melão de Figueira dos Cavaleiros.
Luís Pita Ameixa realçou ainda a produção agrícola do seu concelho, estabelecendo paralelos com produtos emblemáticos de Almeirim, como o vinho e o melão.
Também presente na cerimónia, Pedro Beato, vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, classificou a Sopa da Pedra como “um grande ícone e uma grande marca” de Almeirim e do Ribatejo.
“Quando falamos da Sopa da Pedra, para além de ser um produto certificado de Especialidade Tradicional Garantida, é também cultura e património. É um ativo daquilo que o Ribatejo e Almeirim têm”, afirmou.
Pedro Beato considerou a gastronomia “um dos principais motores de motivação para a visitação dos destinos” e garantiu a continuidade do apoio da Entidade Regional de Turismo ao festival.
Para o responsável, o dinheiro aplicado neste tipo de iniciativa deve ser encarado como investimento. “Todos os euros aqui são investidos, são investimento, porque daqui sai muito, tanto em notoriedade como em visitação”, afirmou, apontando como exemplo a elevada ocupação da área de serviço para autocaravanas existente nas proximidades do recinto.
Na intervenção que encerrou os discursos da inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Joaquim Catalão, destacou o crescimento do Festival da Sopa da Pedra e o contributo da iniciativa para a projeção do concelho.
“São 12 edições de um trabalho que tem permitido afirmar e valorizar a nossa gastronomia, os nossos produtos e o nome de Almeirim”, afirmou o autarca, deixando um agradecimento à Confraria Gastronómica de Almeirim, às associações e aos trabalhadores municipais envolvidos na preparação do recinto.
Joaquim Catalão considerou a Sopa da Pedra “provavelmente a nossa melhor embaixadora gastronómica”, mas lembrou que o festival permite igualmente promover outros produtos do território, entre os quais a caralhota, o pão tradicional de Almeirim, o melão, os vinhos, os enchidos e o arroz-doce.
O presidente da Câmara aproveitou ainda a abertura do festival para lançar um desafio ao setor turístico, defendendo que Almeirim necessita de aumentar a capacidade de alojamento para conseguir transformar os milhares de visitantes atraídos pela gastronomia em turistas que permaneçam mais tempo no concelho.
“Almeirim precisa de reforçar a sua oferta hoteleira. Precisamos de atrair um grupo hoteleiro de referência que reconheça o potencial do nosso território e invista numa unidade de média dimensão”, afirmou Joaquim Catalão.
Para o autarca, o turismo gastronómico “é já uma realidade e um motor” da economia local, devendo ser utilizado para gerar “mais atividade económica, mais investimento e mais oportunidades”.
“Queremos que quem vem a Almeirim para provar a nossa gastronomia encontre cada vez mais razões para ficar, para conhecer o concelho, para participar nos nossos eventos e para regressar”, salientou.
O presidente terminou com um convite dirigido aos milhares de visitantes esperados até domingo: “Provem Almeirim, conheçam Almeirim e voltem a Almeirim. Porque a nossa gastronomia traz as pessoas até nós, mas queremos que seja a nossa hospitalidade que lhes dê vontade de regressar.”
Além das tasquinhas dedicadas à Sopa da Pedra e a outros produtos tradicionais, o programa inclui sessões de show cooking com confrarias gastronómicas de outras regiões do país, quermesse exclusivamente dedicada a produtos alimentares, diversões e animação musical.
A organização estima que entre 15 mil e 20 mil pessoas passem pelo recinto durante os cinco dias. A dimensão do festival tem também impacto direto na economia de Almeirim, não apenas através das associações participantes, mas igualmente na restauração, comércio, produtores e fornecedores locais.
Certificada a nível europeu desde 2022 como Especialidade Tradicional Garantida, a Sopa da Pedra continua assim a assumir o papel principal num festival que procura transformar uma das mais conhecidas tradições gastronómicas do Ribatejo numa porta de entrada para descobrir Almeirim.








