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Falta de ordenamento do território agravou problemas com inundações nos campos 

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O ordenamento do território é uma das ferramentas mais importantes da gestão territorial em qualquer região, seja feito pelas entidades públicas ou até por privados. Na chamada “zona entre diques”, os campos que se estendem entre o rio Tejo e a vala da Azambuja, nos concelhos do Cartaxo e Azambuja, carece dessa gestão, explica ao NS, Luis Seabra, presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo (AAR). 

O NS percorreu essa parcela de território e o que encontrou foram campos submersos, especialmente quanto maior é a proximidade à vala da Azambuja. A água acumulada é resultado das chuvas intensas que fustigaram Portugal durante a passagem da depressão Martinho e da subida do caudal do Tejo, que por sua vez fez aumentar os caudais da vala da Azambuja. Claro que isto são situações que não acontecem com tanta frequência, mas espera-se que numa zona que se situa entre os diques que evitam grandes transvases do rio Tejo, as inundações no campo não sejam tão abundantes, nem que a água se acumule durante tanto tempo. 

Luis Seabra explica ao NS que este problema tem uma grande causa – a falta de ordenamento do território e de fiscalização das condições em que se encontra. Valas de escoamento tapadas, caminhos e acessos descuidados porque há incerteza a quem pertencem e a falta de um elemento fiscalizador.  

A Associação de Agricultores do Ribatejo apresentou um projeto de gestão e ordenamento do território, em 2022, que revela que o último levantamento inter regional datava de 1927 – a Carta Agrológica do Ribatejo. Neste novo levantamento, levado a cabo em parceria com os Municípios do Cartaxo, Azambuja e Santarém, foram identificados 240 quilómetros de caminhos que carecem de responsabilidade para a sua manutenção, e que são um jogo do empurra entre proprietários e autarquias. A resolução desta disputa poderia levar a uma solução parcial para os problemas de inundações nos campos. 

A falta de manutenção destes caminhos vicinais implica o entupimento das valas de escoamento de águas, o que implica que os campos inundem mais facilmente, e que seja mais difícil que as águas escoem com a devida celeridade, evitando prejuízos ainda mais avultados para os agricultores, que acabam por perder culturas e atrasar a replantação, já que não podem levar as máquinas para os campos, explica o presidente da AAR. 

“Não pode haver uma vala de drenagem tapada no meio de duas que estão limpas porque o efeito acaba por ir dar ao mesmo. Estamos entupidos”, lamenta Luis Seabra, referindo a necessidade de haver uma gestão organizada apontando ao exemplo da Associação de Regantes de Vila Franca de Xira, que faz a gestão do território agrícola.  

Luis Seabra aponta ainda à questão da manutenção da vala da Azambuja. As margens são responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente, e quem se dedicar a observar o estado em que as margens se encontram percebe o descuro que tem havido. Ao longo das margens da vala há um sistema de portas de água, criado para mitigar as oscilações de caudal e pode ajudar a evitar as inundações nos campos. Ainda assim Luis Seabra explica que muitas destas portas de água não estão funcionais, e mesmo as que estão é necessário que alguém abra e feche conforme a necessidade. Para isto o presidente da AAR relembra a figura do Guarda-Rios, que era quem tinha a função de fiscalizar e cuidar das linhas de água e das zonas inundáveis.  

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