Falta de médicos na região dá dor de cabeça a autarcas

2 Janeiro 2022, 20:53 Não Por João Dinis

 

 

A falta de médicos com que se debatem sobretudo os Centros de Saúde de Benavente, Salvaterra de Magos e Mora, está a ser uma verdadeira dor de cabeça para os autarcas, que a braços com a falta de médicos, também tenta encontrar estratégias políticas para aliciar os clínicos a irem para os seus concelhos.

Sem Unidades de Saúde Familiar (USF) ou de primeira geração, as unidades de saúde acabam por ser pouco atractivas para os médicos, ainda que em início de carreira, que optam sempre por USF tipo B, onde a remuneração é bastante superior e a carreira mais aliciante.

Debatendo-se com esta problemática, e apesar as das Administrações Regionais de Saúde abrirem inúmeros concursos que terminam desertos, os municípios tentam atrair os médicos, com benesses que superam muitas vezes os 700 euros mensais.

Em Benavente, e com cerca de 8 mil pessoas sem médico de família, a Câmara Municipal criou mesmo um regulamento que disponibiliza gratuitamente habitação ao médico e família, bem como isenta o clínico do pagamento de creche e todos os equipamentos municipais, como as piscinas e espaços culturais.
Este regulamento permite também que os médicos que desejem possam construir habitação própria com isenção de taxas de construção.

Em Mora a situação também preocupa a autarquia, que reuniu já com as entidades da saúde locais, e pretende agora ouvir as autoridades de saúde do distrito de Évora, de modo a tentar encontrar uma solução para o Centro de Saúde de Mora, onde estão somente duas médicas.

O executivo não tem ainda um plano apresentado, mas começa a delinear um plano para atrair médicos para prestarem apoio à população.

Também em Salvaterra de Magos faltam médicos. Hélder Esménio, Presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, lamentou a situação, na última reunião de câmara, afirmando que “se o problema fosse só em Salvaterra de Magos já estaria resolvido”.

O autarca salientou ainda que o concelho é prioritário para a Administração Regional de Saúde, mas que ainda assim não têm conseguido colocar médicos no concelho, uma vez que as vagas abertas não são preenchidas.

Hélder Esménio não descartou, ainda assim, a criação de algum programa de apoio à fixação de médicos no concelho, desde que a mesma venha a ser resolutiva do problema.

Apesar de Samora Coreia e Coruche viverem uma situação bem mais desafogada, uma vez que são USF tipo B, existem ainda alguns problemas que tardam em ter resolução por parte do Ministério da Saúde.

Em Coruche, a população e a autarquia, pedem a reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) 24 horas por dia.
Esta reabertura torna-se imprescindível, num concelho com uma enorme área geográfica, e onde existe população a mais de 70 quilómetros do Hospital Distrital de Santarém.

De acordo com fonte do Hospital de Santarém, no ano 2021, houve mais de uma centena de pacientes atendidos no serviço de urgência, que poderiam ter resolvido a sua situação no SAP de Coruche.