A ETSA, detida pelo grupo Semapa, inaugurou esta sexta-feira uma nova unidade industrial que transforma subprodutos alimentares em ingredientes de elevado valor, num investimento de cerca de 20 milhões de euros, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Tendo conhecimento da cerimónia de inauguração, através de uma nota de imprensa, emitida pela agência de comunicação Lift, que nos chegou com embargo até ao dia 19, mas que não continha o “normal” convite para o acompanhamento da inauguração o NS contactou a agência, com o objetivo de perceber se teria sido um lapso a não convocação da imprensa, ou se seria propositado, uma vez que nos últimos meses o tema da poluição e dos maus cheiros voltou a estar na ordem do dia, e desta forma a empresa evitava questões incómodas.
Remetida a questão por e-mail, até ao final do dia de sexta-feira não nos foi remetida qualquer resposta à nossa solicitação, a não ser que a agência de comunicação estava a avaliar essa possibilidade.
Desta forma, a “comunicação” da abertura de um projeto de 20 milhões de euros, financiado com fundos europeus, ficou apenas a cargo da agência de comunicação e do gabinete de comunicação da Câmara Municipal de Coruche, que efetuou uma cobertura fotográfica institucional.
Recorde-se que o tema da poluição da antiga ITS, atualmente ETSA, voltou a estar na ordem do dia em novembro do ano passado, quando o vereador do PSD Osvaldo Mendes levou um conjunto de reclamações de munícipes que vivem nas proximidades da fábrica transformadora de subprodutos, nomeadamente no que diz respeito aos maus cheiros sentidos e poluição das linhas de água.
“Compreendemos que os 130 postos de trabalho são importantes e garantem estabilidade financeira, mas não podemos abdicar de tudo”, referiu na altura o eleito do PSD, que disse terem-lhe chegado relatos de pessoas que se queixam do ruído emanado pela fábrica, bem como pelos maus cheiros que muitas vezes “impedem que se abram as janelas ou se estenda roupa”, bem como há relatos de linhas de água que aparentam estar poluídas por resíduos da fábrica que não serão tratados antes de chegarem à natureza.
Em dezembro do ano passado, a Administração da empresa reconheceu que existiram falhas ambientais, que segundo foi transmitido a Francisco Oliveira (PS), Presidente da Câmara Municipal de Coruche estariam resolvidos, e foram atribuídas ao maior número de animais recolhidos para inceneração.
Também um conjunto de incêndios que nos últimos anos se têm verificado na empresa, cujas causas nunca foram tornadas públicas, têm emanado um conjunto de matérias poluentes.
O último ocorreu na madrugada de 15 de agosto, e destruiu várias toneladas de produtos transformados na unidade fabril.



