Entendimento entre operadoras pode resolver parte dos problemas da rede móvel em Coruche

13 Janeiro 2022, 21:03 Não Por João Dinis

Se as operadoras partilhassem recursos o concelho de Coruche tinha grande parte dos problemas resolvidos com comunicações móveis, foi essa a grande conclusão retirada esta quinta-feira, do encontro da Anacom – Autoridade Nacional das Comunicações, com os autarcas do concelho de Coruche, onde foram apresentadas os resultados do estudo de qualidade de serviço das redes móveis 2G,3G e 4G, no concelho.

Numa altura em que a toda a hora nos entram pela casa anúncios do 5G, há ainda muitos lugares que não conseguem estabelecer uma simples chamada telefónica, muitas vezes nem para ligar ‘112’, facto que levou a entidade a realizar em Coruche um estudo com o objectivo de identificar as zonas onde o acesso à rede móvel é mais problemático ou mesmo inexistente, tendo como objectivo as metas definidas pela Anacom, de que 75% da população de cada freguesia esteja coberta com rede móvel, já em 2023 e  90% da população em 2025.

Para este investimento, o Governo irá utilizar parte da receita do leilão do 5G, onde, de acordo com João Cadete de Matos, Presidente da Anacom, o objectivo “não foi privilegiar a receita”, apesar de a receita obtida ter sido muito elevada – mais do que duplicou o preço base – “mas sim as obrigações de cobertura e a obrigação de investimento”.

Criticando também o preço cobrado pelas operadoras, contra o serviço prestado aos utilizadores, João Cadete de Matos apresentou os resultados dos trabalhos realizados pela Anacom entre 22 e 25 de Novembro, onde foram realizados pelos técnicos mais de 550 quilómetros, realizadas 1269 chamadas de voz, 306 testes de velocidade da ligação à Internet e mais de 100 mil registos de sinal rádio, segundo explicou Vitor Rabuge, Director-Geral de Supervisão da Anacom.

De acordo com o mapa apresentado, os técnicos da Anacom percorreram a totalidade do concelho de Coruche, sobretudo os maiores aglomerados populacionais, dispersos em freguesias tão distantes.

A conclusão do estudo aponta para um concelho com muitas falhas de rede móvel, tanto nas chamadas como na utilização da internet, ainda que existam algumas variações, de acordo com a operadora utilizada, sendo que 11º dos valores registados são de qualidade inexistente, muito má ou má, fazendo com que uma em cada seis chamadas realizadas não seja finalizada.

Também no serviço de dados a qualidade do serviço apresentado pelas operadoras é fraca no concelho, tendo uma velocidade abaixo de desejado, apresentando fracos ou nulos desempenhos nas operações que necessitam de velocidade mais elevadas.

Entre os locais com pior desempenho estão as freguesias de São José da Lamarosa, Couço e Santana do Mato, na priferia e sítios das freguesias. Malhada Alta, Volta do Vale (alguns locais), Barrões, Vale do Cortiço e Texugueira são exemplos de locais onde nenhum operador executa o serviço de rede móvel.

Em localidade como Volta do Vale (alguns locais), Vinhas da Erra, Frazão, Carapuções, Peta e Feixe, apenas é possível detectar rede de um operador.

Entre os sítios que registam melhores desempenhos de voz e dados estão as zonas residenciais de Coruche, Fajarda, Couço e Biscainho.

Vodafone é a operadora com melhor desempenho no concelho

Entre os dados comparativos disponibilizados pena Anacom a Vodafone é o operador que apresenta resultados ‘menos maus’ no concelho de Coruche, tanto no serviço de voz como de dados.

No serviço de voz a Vodafone permitiu que 88% das chamadas realizadas se finalizassem, seguido da Nós com 87% e da Meo com 79%.

Já nas ligações de dados, a Vodafone permitiu concluir 80% dos testes, a Meo 76% e a Nós apenas 62%.

Roaming nacional era fundamental para resolver problemas no concelho

Dados os dados apresentados pelas três operadoras actualmente no mercado, a Anacom, na palavra do seu Presidente, defende que a existência de um roaming nacional – Portugal é um dos poucos países da Europa onde as operadoras não partilham recursos – poderá resolver grande parte dos problemas das falhas de rede.

O roaming nacional não seria mais que um utilizador de uma rede poder utilizar outra caso esta estivesse disponível, como acontece por exemplo quando viajamos.

Esse foi mesmo um dos lamentos de João Cadete de Matos, que afirmou que “um espanhol ou italiano que visite Coruche consegue ter melhor cobertura de rede que quem cá vive”, pois consegue alternar entre as três redes disponíveis com o roaming internacional, sem que com isso tenha que pagar mais, uma vez que existe roaming ‘grátis’ na União Europeia.

O responsável da entidade espera que as operadoras se entendam para iniciar em breve o roaming nacional, não afastando a possibilidade do mesmo poder ter que vir a ser decretado por via de uma Lei.

Câmara e Freguesias apontam problemas e querem ser parceiras na solução

Presentes nesta sessão estiveram os responsáveis do município de Coruche, bem como os Presidentes de todas as freguesias, que tiveram a possibilidade de expor os problemas das suas freguesias aos responsáveis da Anacom.

Fátima Galhardo, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Coruche frisou que o município não tem capacidade financeira para investir do próprio bolso numa rede de fibra que ligasse todo o concelho, salientando que a exemplo do que aconteceu no parque empresarial, onde o município investiu cerca de 50 mil euros, irá actuar sempre que seja imperativo, estando a autarquia atenta a todas as oportunidades de fundos comunitários que venham a ser lançadas na área.

Conheça o estudo apresentado pela Anacom

Relatorio_Coruche

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