Um em cada três portugueses sofre de doenças do aparelho digestivo. Essenciais para a deteção precoce de cancro e outras doenças, a endoscopia digestiva alta e a colonoscopia são os exames de Gastrenterologia mais realizados, em Portugal. Contudo, persistem muitas dúvidas e receios sobre estes procedimentos. No Dia Mundial da Saúde Digestiva, que se assinala anualmente a 29 de maio, Cláudia Grazina, Enfermeira Responsável da Unidade de Exames Especiais do Hospital CUF Santarém, esclarece as dúvidas mais comuns sobre os dois exames.
As endoscopias digestivas alta e baixa, normalmente conhecida como colonoscopia, são recomendadas a partir dos 50 anos. Por que razão? Para que servem estes exames?
A colonoscopia é considerada o exame de eleição para o diagnóstico precoce de cancro colorretal. Como tal, todas as pessoas com 50 ou mais anos, devem realizá-la, independentemente de apresentarem ou não sintomas. É também um importante método de diagnóstico de outras doenças do sistema digestivo, podendo o médico recomendar a sua realização a pessoas com sintomas como dor abdominal, retorragias (perda de sangue vivo pelas fezes), alterações analíticas e alterações do trânsito intestinal.
Já a endoscopia digestiva alta (mais conhecida, simplesmente, como endoscopia) permite o diagnóstico de cancro gástrico. Embora o rastreio populacional deste tipo de cancro ainda não esteja preconizado em Portugal, cada vez mais se considera que haverá benefício na realização da endoscopia na mesma altura em que se faz a colonoscopia, aproveitando, inclusive, o momento da sedação profunda. Igualmente, na presença de sintomas como azia, náuseas, vómitos, dor ou desconforto gástrico, a par de emagrecimento inexplicado, anemia ou dificuldade em engolir, pode estar indicada a realização de uma endoscopia.
O que envolve a preparação destes exames?
Antes de realizar a colonoscopia, é crucial a limpeza do intestino. A presença de fezes pode dificultar a observação da mucosa ou até impossibilitar a realização do exame. Para o realizar de uma forma segura e eficaz, nos três dias precedentes ao exame, o doente deve cumprir uma dieta pobre em fibras (não podendo ingerir frutas, legumes, leguminosas, cereais ou farelos) e tomar o preparado de limpeza intestinal.
Antes de realizar a endoscopia digestiva alta, o doente deve realizar um jejum completo nas seis horas que antecedem o exame, de modo a assegurar que o estômago está vazio durante o procedimento.
Além disso, é crucial que, caso o doente tenha alergias a medicamentos, problemas cardíacos ou pulmonares, notifique previamente a equipa que vai realizar os exames.
Dado que estes procedimentos envolvem uma preparação rigorosa e costumam suscitar alguns receios, no Hospital CUF Santarém, antes dos exames de Gastrenterologia, a equipa de Enfermagem faz uma consulta telefónica com cada doente, de modo a informar e a esclarecer todas as suas dúvidas.
Durante os exames, o que acontece? E qual é a duração dos procedimentos?
Durante a colonoscopia, através do colonoscópio, equipado com uma câmara na extremidade que vai transmitindo a imagem para um monitor, os profissionais de saúde vão insuflando dióxido de carbono ao longo do intestino, permitindo a distensão, a progressão e observação da mucosa intestinal ao pormenor. Caso seja necessário, podem introduzir-se diversos instrumentos através do colonoscópio, que permitem realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos, tais como colheita de biópsias, remoção de pólipos, aplicação de fármacos e medidas de controlo hemorrágico (perdas de sangue). Uma colonoscopia demora, em média, cerca de 15 a 30 minutos, mas, nos casos em que é necessário realizar procedimentos adicionais, pode demorar mais.
Durante a realização da endoscopia digestiva alta, o endoscópio (aparelho semelhante ao colonoscópio, mas mais fino) é inserido através da boca, progredindo ao longo do esófago, estômago e duodeno. A endoscopia demora, em média, entre 5 a 20 minutos, mas, tal como na colonoscopia, podem ser realizados procedimentos terapêuticos que requerem mais tempo.
E após os exames, é necessário ter alguns cuidados específicos?
Após a realização destes exames sob apoio anestésico, o doente permanece no recobro cerca de 30 minutos. No regresso a casa, deve fazer-se acompanhar por um adulto e não pode conduzir. Recomenda-se que se mantenha em repouso, em casa, no resto do dia, e que realize uma dieta ligeira, à base de cozidos ou grelhados. Além disso, não deve ingerir bebidas alcoólicas, nem tomar decisões importantes.
Caso o doente tenha sido submetido a algum procedimento adicional (por exemplo, polipectomia), durante as primeiras 72 horas, deverá vigiar sinais e sintomas como dor abdominal intensa e persistente, vómitos de repetição, perdas de sangue abundantes e frequentes, descida da tensão arterial e febre. Caso exista alguma ocorrência, deve procurar ajuda médica, fazendo-se acompanhar do relatório do exame.
O Hospital CUF Santarém tem apostado em meios de diagnóstico tecnologicamente avançados, como a videocápsula endoscópica. Quais são os benefícios, para os doentes do Ribatejo?
No Hospital CUF Santarém, os gabinetes dedicados à realização destes exames têm equipamentos tecnologicamente avançados, com imagem de alta definição, permitindo obter diagnósticos fidedignos, com maior facilidade. A equipa, multidisciplinar e diferenciada, de Gastrenterologia do Hospital CUF Santarém presta cuidados personalizados
Como funciona a videocápsula endoscópica e para que é utilizada?
a cada doente e está preparada para diagnosticar as principais doenças gastroenterológicas, através de uma oferta de exames que inclui as endoscopias digestivas alta e baixa, a fibrosigmoidoscopia e a videocápsula endoscópica.
No caso da videocápsula, é um exame utilizado sobretudo para diagnóstico de doenças do intestino delgado, que é um segmento do tubo digestivo de difícil acesso, através dos exames convencionais.
Consiste num pequeno dispositivo, semelhante a um comprimido, que o doente engole sob supervisão, aqui no Hospital. Depois, a cápsula vai percorrendo todo o aparelho digestivo, de forma natural, captando imagens de alta resolução do intestino delgado. Estas fotografias vão ficando guardadas num pequeno gravador, que é dado ao doente, e são depois analisadas. É um exame simples, que não causa desconforto, e permite que o doente retome as suas atividades diárias de imediato, após a ingestão da cápsula.





