Emuna Mia em parte incerta, consultório fechado e afastada de todos os cargos após escândalo das reformas

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Foto por: SIC
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A médica Emuna Mia, que viu na passada quarta-feira, o seu alegado esquema facilitador de reformas ser denunciado publicamente, depois de uma reportagem da SIC ter tido acesso ao processo movido pela Carris, que viu cerca de 30 dos seus trabalhadores reformados por invalidez, num processo que poderá agora vir a ser considerado ilegal, encontra-se em parte incerta, havendo suspeitas que esta possa ter mesmo já saído para Moçambique, de onde é natural.

A médica, atualmente, com 72 anos de idade, e reformada, continuava a dar consultas na sua clínica, na rua principal de Santo Estevão, onde recebia aqueles que pretendiam reformar-se antecipadamente, alegando sobretudo questões de invalidez.

A troco de uma verba, que de acordo com que o NS conseguiu apurar, poderia variar entre os 500 e 3000 euros, conforme a complexidade do caso, Emuna Mia, teria uma “rede” montada, que conseguia fazer com que desde o resultado dos exames médicos, realizados em locais indicados por esta, às decisões dos médicos avaliadores, tudo fosse facilitado, conseguindo assim os seus clientes o acesso às reformas por invalidez.

Emuna Mia reformada do SNS, de onde aufere mais de 2.800 euros mensais, continuava ainda assim a prestar serviços no Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde de Benavente, e no Lar da Fundação Padre Tobias, de onde terá sido já afastada preventivamente pelas respetivas direções das unidades.

Desde ontem que a médica não é vista em Santo Estevão, onde também reside, não tendo também aparecido em nenhum dos locais onde ainda exercia, o que leva alguns vizinhos, com quem o NS falou, a suspeitarem que esta se poderá ter deslocado a Moçambique, de onde é natural, e para onde viajava com alguma regularidade.

O alegado esquema, que poderá ter como intervenientes outros médicos e técnicos, está desde agosto do ano passado a ser investigado pelo Ministério Público, depois da Carris ter denunciado a reforma antecipada, por invalidez, dos seus trabalhadores, no que considerou também suspeito.

Também a Ordem dos Médicos abriu de imediato um inquérito, pelos atos denunciados indicarem “alegadas práticas gravemente lesivas da ética e da deontologia médica”.

“A Ordem dos Médicos condena qualquer atuação que instrumentalize o ato médico para fins alheios ao interesse dos doentes, ao rigor clínico e ao cumprimento da lei”, afirma o bastonário da OM, em comunicado.

Carlos Cortes sublinha que “a utilização do estatuto profissional para obter vantagens indevidas, se confirmada, constitui uma violação ética intolerável e uma quebra gravíssima da confiança que a sociedade deposita na classe médica”.

Além do caso das reformas por invalidez, Emuna Mia pode agora ver a Ordem dos Médicos e o Ministério Público investigarem a sua conduta profissional, sobretudo porque começam agora a surgir outras denúncias de baixas e atestados fraudulentos.

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