O administrador da Unidade Local de Saúde da Lezíria do Tejo (ULS LT), Pedro Marques, revelou na reunião de Câmara de Santarém, realizada esta segunda-feira, 23 de fevereiro, que a dívida do Hospital Distrital de Santarém aumentou para cerca de 44,9 milhões de euros, apesar do esforço de recuperação financeira desenvolvido ao longo do último ano.
Pedro Marques explicou que, quando o atual conselho de administração iniciou funções, foi feito um trabalho “muito aprofundado” de levantamento e registo de faturas que não estavam contabilizadas na ULS, o que levou a um reforço da dívida em mais de 9 milhões de euros. No final de 2024, a dívida ascendia assim a 42,1 milhões de euros, valor que, já com praticamente toda a contabilidade lançada, cresceu para cerca de 44,9 milhões de euros, significando um aumento de 2,8 milhões face ao ano anterior.
O administrador sublinhou que este agravamento tem explicação e “racional”, destacando, desde logo, o aumento de custos com recursos humanos, que cresceram 11,8 milhões de euros devido à aplicação de novas regras legais. Acresce o pagamento de impostos de 2025 ainda durante esse ano, no montante de 2 milhões de euros, e a regularização de 3,3 milhões de euros de impostos em atraso relativos a 2024, que não tinham sido liquidados por falta de tesouraria.
Pedro Marques lembrou ainda que, em 2024, durante parte do ano, a Administração Regional de Saúde (ARS) assumiu as despesas com meios complementares de diagnóstico, terapêutica e produtos farmacêuticos, situação que deixou de acontecer em 2025. Só esse trimestre que transitou para a responsabilidade da ULS representou um acréscimo de 15,7 milhões de euros em encargos, com impacto direto na tesouraria.
Apesar do contexto difícil, o responsável garantiu que está a ser feito um trabalho “muito rigoroso e exigente” na gestão financeira do hospital. Como exemplo, referiu que o resultado líquido de janeiro de 2025 foi negativo em 3 milhões de euros, enquanto em janeiro de 2026 o resultado negativo se situou nos 1,7 milhões, traduzindo uma melhoria mensal de 1,4 milhões de euros.
Pedro Marques adiantou também que, à chegada do atual conselho de administração, foi detetado que um adiantamento de 375 mil euros, relativo a uma obra de Psiquiatria financiada pelo PRR, já tinha sido gasto em exploração corrente e não se encontrava reservado para a empreitada, obrigando a repor esse valor para garantir o avanço do investimento.
Para além da situação da dívida, o administrador destacou que estão em curso vários milhões de euros de investimento em obras e equipamentos financiados pelo PRR e por nove municípios da região, num total de cerca de 34 milhões de euros aplicados na área da saúde. Entre os projetos em preparação está a construção de um novo edifício sobre o atual heliporto, que deverá acolher uma unidade de cirurgia de ambulatório, cuidados intensivos, cuidados intermédios, esterilização, uma equipa multidisciplinar de intervenção e, idealmente, um novo hospital de dia de oncologia.
Pedro Marques referiu que já foram iniciados contactos com a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e que este será um investimento de médio e longo prazo, com o objetivo de deixar o hospital “melhor do que foi encontrado”, independentemente de quem venha a inaugurar a obra.
O responsável da ULS da Lezíria do Tejo adiantou ainda planos de requalificação e ampliação da Patologia Clínica, do Serviço de Urgência, incluindo a criação de uma sala de observação (SO), bem como a reabilitação da cozinha do hospital, atualmente encerrada na sequência de uma intervenção da ASAE. Está também em curso a substituição do quadro geral de baixa tensão (QGBT), para aumentar a capacidade energética e permitir instalar climatização e outras condições de conforto nas enfermarias, que estão a ser gradualmente requalificadas.
Na área da oncologia, Pedro Marques revelou que está a ser desenhada uma nova parceria público-privada (PPP) para radioterapia e radio-oncologia, que poderá incluir a instalação de um equipamento PET, capaz de servir toda a região entre Lisboa e Coimbra. A intenção é criar condições para um investimento de longo prazo, entre 15 e 25 anos, que permita amortizar os custos e responder às necessidades da população.
O administrador concluiu sublinhando que o último ano e início do atual têm sido de “grande compromisso” do conselho de administração, enfrentando “muitas dificuldades”, mas com “muita energia” e a ambição de deixar a estrutura hospitalar mais robusta e preparada para o futuro.






