A corporação de Sapadores Bombeiros de Santarém tem vindo a ser alvo de várias críticas ao longo dos últimos anos, especialmente pela falta de operacionalidade no que toca à resposta pré-hospitalar. Segundo o NS apurou, na grande maioria do tempo as duas ambulâncias de socorro, sendo uma delas do INEM, estão inoperacionais uma vez que não há elementos que as possam tripular.
“Efetivamente durante algum período do ano não conseguimos dar a resposta à emergência pré-hospitalar, principalmente quando se iniciam férias dos operacionais e o efetivo fica ainda mais reduzido”, explica o comandante da corporação, Carlos Grazina.
As dificuldades com o pessoal têm crescido nos últimos anos, com o efetivo operacional a envelhecer e a não existir renovação nem rejuvenescimento dos bombeiros. A última recruta terminou em 2012 e até 2025 não foi lançado qualquer concurso para admissão de pessoal, o que deixou a corporação com menos de metade dos 80 efetivos que o regulamento municipal estipula.
O concurso foi aberto em fevereiro de 2025 e foram preenchidas 10 vagas, que, segundo o comandante da corporação e o vice-presidente do município de Santarém, Emanuel Campos (responsável pelo pelouro da Proteção Civil Municipal), deverá entrar em funções ainda este ano.
Carlos Grazina assume que a média de idades elevada e a falta de pessoal traz algumas condicionantes “ao número desejável de resposta, bem como a capacidade musculada dessa mesma resposta”, acrescentando que “em condições normais” a capacidade física de um elemento com 20 anos é diferente da de um bombeiro com 50.
“Este facto pode traduzir-se num teatro de operações em que o efetivo mais experiente põe em prática o conhecimento de anos, mas a sua condição física poderá estar mais fragilizada”, afirma Carlos Grazina, admitindo a necessidade urgente de revitalizar as fileiras do quartel.
Essa revitalização está, segundo o vereador Emanuel Campos, nos planos da autarquia, com o autarca a garantir que é necessário equilibrar “a experiência acumulada dos operacionais mais antigos com a energia e capacidade física dos mais jovens”, algo que considera “essencial para garantir eficácia, segurança e continuidade do serviço”.
Em declarações ao NS, o autarca deixou garantias que o socorro à população do concelho nunca esteve em causa, já que têm sido reforçadas as Equipas de Intervenção Permanente das três corporações de bombeiros voluntários – Santarém, Alcanede e Pernes.
“O concelho não deixou de reforçar a sua capacidade operacional, nomeadamente através das Corporações de Bombeiros Voluntários, com a integração de 45 novos elementos ao abrigo de Equipas de Intervenção Permanente (EIP)”, garantiu Emanuel Campos. O reforço da corporação de Sapadores, gerida diretamente pelo município, está nos planos da autarquia, e o autarca afirma que “com uma visão estratégica consolidada, estamos a dar um novo impulso à Companhia de Sapadores, retomando o reforço direto dos seus quadros”.
Apesar de haver dias em que a corporação não responde a qualquer ocorrência, segundo o NS confirmou, Carlos Grazina afirma que a corporação está plenamente operacional.
“Damos resposta aos incêndios urbanos, rurais, desencarceramento, resgate, entre outros, a partir do Quartel da Companhia, e mantemos um dispositivo diário de prevenção a incidentes com aeronaves com a prontidão diária no Aeródromo Municipal de Santarém – Cosme Pedrógão, com a prontidão dos operacionais aí afetos desde 15 de maio a 15 de outubro”, explica o comandante. Num concelho onde a grande maioria das ocorrências são emergências pré-hospitalares, e tendo em conta a fragilidade reconhecida por Carlos Grazina e que é do conhecimento geral das entidades que gerem o socorro a nível nacional, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), encaminha as chamadas pré-hospitalares para as outras corporações do concelho onde existem as EIP (Voluntários de Santarém, Pernes e Alcanede).
“Se existirem ocorrências e a Companhia de Sapadores Bombeiros não tiver conhecimento delas, não podemos atuar”, justifica o comandante.





