Vários produtores de cortiça estão a abandonar a atividade devido à redução dos preços pagos pela matéria-prima e à diminuição das compras por parte da indústria, numa situação que está a gerar crescente preocupação no setor corticeiro nacional.
Segundo noticiou o Jornal de Negócios, produtores de diferentes regiões do país denunciam que os valores atualmente praticados já não permitem cobrir os custos de produção, colocando em causa a viabilidade económica da exploração dos montados de sobro.
Em declarações citadas pelo diário económico, Albano Rosa, produtor do Alentejo, acusa a Corticeira Amorim, líder mundial do setor e principal compradora de cortiça em Portugal, de ter reduzido significativamente os volumes de aquisição e os preços pagos aos produtores nas campanhas de 2024, 2025 e 2026.
“A Corticeira Amorim reduziu drasticamente o volume das compras e os preços nas campanhas de 2024, 2025 e 2026, apesar de uma escassa contração do volume de vendas e de uma aparente subida do preço final das rolhas”, afirmou o produtor ao Jornal de Negócios.
A situação está a provocar descontentamento entre os proprietários dos montados, que enfrentam custos crescentes relacionados com a manutenção das explorações, a gestão florestal e a contratação de mão de obra especializada para a extração da cortiça, uma atividade que exige conhecimento técnico e trabalhadores qualificados.
Também ouvido pelo Jornal de Negócios, o produtor Diogo Mexia confirmou que alguns proprietários já optaram por abandonar a produção por considerarem que deixou de ser um negócio rentável.
“Houve quem abandonasse a produção por já não ser um negócio interessante”, afirmou, defendendo que a atual configuração do mercado está a limitar as alternativas dos produtores.
Para Diogo Mexia, a solução passará pela entrada de novos operadores capazes de concorrer com a Corticeira Amorim ou, em alternativa, pela venda das explorações. “Ou entra um concorrente da Amorim no mercado ou a solução é vender as explorações”, alertou.
Portugal é o maior produtor mundial de cortiça e o montado de sobro desempenha um papel fundamental na economia de várias regiões do país, nomeadamente no Alentejo e no Ribatejo, onde esta atividade constitui uma importante fonte de rendimento para muitos proprietários florestais.
As preocupações agora levantadas pelos produtores surgem numa altura em que o setor enfrenta também desafios relacionados com as alterações climáticas, a escassez de mão de obra especializada e a necessidade de garantir a sustentabilidade económica de uma fileira considerada estratégica para a economia nacional.





