A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço, no concelho de Coruche, foi formalmente constituída esta quarta feira, 17 de junho, dando corpo ao movimento de um grupo de moradores que pretende encontrar uma resposta para a falta de socorro de proximidade sentida na freguesia.
A escritura de constituição da associação foi assinada no Cartório Notarial de Mora, depois de ter sido emitido o certificado de admissibilidade que permite a utilização do nome da nova entidade. Paulo Rosado, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Couço, explicou que este foi o passo que faltava para que o projeto passasse da intenção à formalização.
“Neste momento está concluída. Está registada e agora é trabalhar, mas trabalhar de uma forma muito elaborada”, afirmou Paulo Rosado, sublinhando que o processo envolveu, antes da escritura, a criação de uma equipa de trabalho “responsável” e “determinada” a avançar com a associação.
A intenção de criar uma associação humanitária no Couço tinha sido apresentada por Paulo Rosado na reunião de Câmara de Coruche de 30 de abril, onde procurou o apoio da autarquia para implementar a ideia na localidade. O objetivo, explicou então, era “garantir o socorro à população”, numa freguesia que tem manifestado preocupação com a resposta de emergência.
O Couço é atualmente servido pelos Bombeiros Municipais de Coruche, que atravessam um défice significativo de recursos humanos, situação que leva a que, em vários casos, o socorro seja prestado pelos Bombeiros Voluntários de Mora, ou outras corporações ainda mais distantes. Para os promotores da nova associação, a freguesia não pode continuar dependente de auxílio exterior para situações urgentes.
Paulo Rosado, natural do Couço, proprietário de uma clínica veterinária e residente na Covilhã, tem defendido que é necessário tomar uma posição, seja através da reabertura da antiga secção dos Bombeiros Municipais de Coruche no Couço, seja através da criação de um corpo de bombeiros voluntários.
O responsável vinca que o movimento é apartidário e nasce da preocupação de um grupo de moradores com a segurança da população. “Isto é um grupo de amigos e de pessoas que naturalmente pensam nas necessidades da população que se reuniram para fazer isto”, afirmou, acrescentando que decidiu envolver-se porque pensa “nas minhas gentes” e “na minha terra”.
Um dos principais desafios passa agora pelo financiamento. Paulo Rosado reconhece que “uma associação humanitária criada hoje não tem condições financeiras para o que quer que seja” e identifica esse ponto como o maior obstáculo nesta fase inicial.
A nova associação pretende, por isso, preparar dossiês e procurar formalizar um protocolo com a Câmara Municipal de Coruche. “Vamos tentar assinar um protocolo com a Câmara Municipal de Coruche. E é a primeira coisa a ser feita, até porque precisamos de instalações, precisamos de viaturas, precisamos de fazer angariação de voluntários para trabalharem connosco”, afirmou.
Uma das hipóteses em cima da mesa é a utilização das antigas instalações da secção dos bombeiros no Couço, que pertencem à Câmara Municipal de Coruche e que estão desativadas há vários anos. Paulo Rosado admite que o espaço poderá ser importante numa fase inicial, mas alerta para a necessidade de obras.
“Aquilo é um espaço bastante obsoleto”, referiu, apontando a necessidade de pinturas, remodelações, camaratas, casas de banho e intervenção no telhado, que terá ainda cobertura em amianto. Ainda assim, considera que “seria excelente” se a autarquia cedesse aquele espaço à associação.
O presidente da Câmara Municipal de Coruche, Nuno Azevedo, já tinha demonstrado abertura para colaborar com o grupo na criação do corpo de bombeiros voluntários no Couço, disponibilizando o auxílio possível por parte da autarquia para a implementação da associação humanitária. O autarca admitiu também que esta poderá ser uma das soluções para a problemática do socorro no concelho.
Paulo Rosado reconhece que o município será essencial para viabilizar o projeto. “Nós precisamos de ajuda”, afirmou, defendendo que uma estrutura desta natureza exige meios financeiros que não podem depender apenas das quotas dos sócios.
O objetivo inicial da associação passa por garantir uma ambulância de socorro disponível 24 horas por dia e uma viatura ligeira de combate a incêndios, capaz de assegurar uma primeira intervenção no terreno. “O que nós pretendemos é ter uma ambulância de socorro 24 horas por dia e ter um pequeno carro de combate a incêndio para primeira operação nos teatros de operações”, explicou.
A prioridade, sublinha Paulo Rosado, é o socorro imediato. “Não é o socorro esperar três quartos de hora, uma hora, uma hora e meia. Nós precisamos e temos que ter o socorro de forma imediata”, afirmou, defendendo que a resposta deve chegar ao Couço em poucos minutos e às aldeias mais distantes da freguesia em tempos compatíveis com uma emergência.
“Se for na vila do Couço ao fim de cinco minutos e se for na aldeia mais distante, que é Volta do Vale, em 15 minutos, por exemplo. É isso que nós pretendemos”, referiu.
Numa fase posterior, a associação admite vir a criar condições para transporte de doentes não urgentes, uma área que poderá ajudar a garantir sustentabilidade financeira à nova estrutura. Ainda assim, Paulo Rosado insiste que o foco inicial não é esse, mas sim a recuperação de uma resposta de emergência de proximidade.
“A nossa vontade, para já, é uma ambulância de socorro. É o socorro que nos preocupa mais. E também uma viatura ligeira de combate a incêndio”, afirmou.
O responsável adianta ainda que a equipa dirigente será apresentada em breve à população, estando já prevista uma apresentação pública durante a Semana da Cultura, Arte e Desporto da vila do Couço, que decorre entre 4 e 12 de julho, com autorização da Junta de Freguesia.
A constituição formal da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários do Couço marca, assim, o início de uma nova fase do processo. “A partir de agora é que vamos contar com todos. Vamos ser persistentes, resilientes e insistentes com a Câmara, para que as coisas não adormeçam e para que, muito em breve, consigamos de alguma forma ter o socorro novamente no Couço”, concluiu Paulo Rosado.





