O Crédito Agrícola tem em curso processos de fusão que envolvem diretamente as caixas de Coruche e de Mora, no âmbito de uma reorganização interna do grupo que decorre em paralelo com a preparação para uma futura supervisão direta do Banco Central Europeu.
Segundo informação divulgada na apresentação dos resultados do primeiro semestre de 2026, uma das operações em curso envolve a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Coruche e a do Ribatejo Sul. Outra prevê a fusão entre a caixa de Mora e Aviz e a do Alentejo Central.
O grupo não adiantou, nesta apresentação, alterações concretas à rede de balcões ou ao funcionamento local das estruturas abrangidas pelos processos de fusão.
O Crédito Agrícola tem ainda em curso uma terceira operação, entre a Caixa Entre Tejo e Sado e a de Loures.
A reorganização surge numa altura em que o grupo prepara também o caminho para passar a ser supervisionado diretamente pelo Banco Central Europeu, processo que deverá ser desencadeado em 2027 e que implicará uma análise à qualidade dos ativos e a realização de testes de stresse.
No primeiro semestre deste ano, o Crédito Agrícola registou um resultado líquido consolidado de 168,5 milhões de euros, menos 2,2% do que no mesmo período de 2025.
A margem financeira recuou 1,5%, para 328,4 milhões de euros, enquanto as comissões líquidas aumentaram 7,8%, atingindo 84,5 milhões de euros. O produto bancário cresceu 1%, para 469,4 milhões de euros.
Os resultados foram também afetados pela redução do desempenho dos contratos de seguros, que caiu 11%, para 49,7 milhões de euros, devido, entre outros fatores, ao aumento dos custos com sinistros provocados pelas intempéries registadas no primeiro trimestre de 2026.
Segundo o presidente do grupo, Sérgio Raposo Frade, o impacto das tempestades rondou os 50 milhões de euros, embora parte desse valor seja coberta através de resseguros.
No final de junho, o Crédito Agrícola contava com 611 agências em Portugal, menos uma do que no final de março. Os depósitos de clientes atingiam 24.329 milhões de euros e a carteira bruta de crédito ascendia a 14.512 milhões de euros.








