O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) divulgou o Boletim de Descargas Elétricas Atmosféricas relativo ao ano de 2024, documento que confirma um ano marcado por forte instabilidade atmosférica e por valores muito elevados de trovoada em várias regiões do país. Entre os territórios em maior destaque surge o distrito de Santarém e, dentro dele, os concelhos de Coruche e Chamusca, ambos com indicadores que refletem uma atividade elétrica acima do habitual.
O distrito de Santarém registou 2595 descargas elétricas nuvem/solo ao longo do ano. Este valor corresponde à segunda posição a nível nacional, apenas ultrapassado por Castelo Branco, e representa uma densidade de 0,3855 descargas por quilómetro quadrado. O distrito contabilizou ainda 11528 descargas intra-nuvem, número que confirma a elevada instabilidade da região. No que respeita ao número de dias com trovoada, Santarém atingiu os 49 dias, o segundo maior registo entre todos os distritos, ficando apenas atrás de Coimbra com 53 dias.
A nível concelhio, Coruche destaca-se como um dos territórios com mais descargas registadas em Portugal continental. De acordo com os dados disponibilizados, o concelho contabilizou 408 descargas elétricas nuvem/solo e 1781 descargas intra-nuvem. A densidade de descargas atingiu 0,3649 por quilómetro quadrado, valor muito expressivo no contexto do país. Coruche foi igualmente um dos concelhos com maior número de dias com trovoada, atingindo 29 dias, posição partilhada com Viana do Castelo e Montalegre, o que coloca o concelho no topo nacional, reforçando o seu papel como uma zona de forte atividade convectiva.
A Chamusca, igualmente no distrito de Santarém, apresenta indicadores relevantes. O concelho surge em décimo lugar a nível nacional com 26 dias de trovoada, número que o posiciona entre os mais afetados por fenómenos elétricos no ano em análise. O concelho registou ainda 241 descargas elétricas nuvem/solo e 1098 intra-nuvem. Estes valores, embora inferiores aos de Coruche, confirmam a tendência de grande instabilidade elétrica no eixo central do Ribatejo.
Os resultados constam de um boletim que caracteriza 2024 como o sexto ano com maior densidade de descargas elétricas desde 2010. No total, o país registou 141 dias com trovoada, valor acima da média do período 2010 2024. Março, junho e outubro foram os meses com maior número de ocorrências.
O relatório confirma também que o verão concentrou quase 59% das descargas elétricas nuvem/solo registadas em Portugal continental. Junho foi o mês com maior intensidade de raios, com mais de 12 mil ocorrências. A região do interior centro e o vale do Tejo surgem como áreas de maior risco.
Com estes resultados, Santarém, Coruche e Chamusca surgem entre os principais destaques nacionais, reforçando a necessidade de sensibilização para os riscos associados a trovoadas e descargas elétricas. O boletim anual do IPMA sublinha a importância do acompanhamento contínuo deste tipo de fenómenos e alerta para a necessidade de medidas preventivas, sobretudo em regiões recorrentemente afetadas como o Ribatejo.





