Chuva “persistente e por vezes forte” regressa esta terça-feira

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Foto por: Freepik
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Depois de uma segunda-feira com menos chuva, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou o distrito de Santarém em aviso amarelo, entre as 00 horas e as 18 horas, desta terça-feira, 10 de fevereiro.

De acordo com as previsões, deverão ocorrer nesse espaço temporal “precipitação persistente e por vezes forte”, o que levou o IPMA a ativar o aviso metereológico.

“Os nossos rios, neste momento, estão no limite da capacidade e, portanto, é natural que com esta precipitação haja, novamente, um aumento da gravidade das inundações um pouco por todo o país, nomeadamente na zona Norte e Centro”, afirmou o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre.

Num ponto de situação pelas 19:00, em conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, Mário Silvestre reforçou que a previsão meteorológica se mantém, “com chuva intensa, por vezes forte, no litoral Norte e Centro, com vento moderado mais forte na costa e nas terras altas, com rajadas fortes no Norte e Centro, que podem ir até 75 quilómetros/hora”, e também com agitação marítima e queda de neve acima dos 1.000 metros.

“Esta condição meteorológica, que irá manter-se previsivelmente até à próxima quarta-feira, irá obviamente ter um impacto significativo nas nossas albufeiras, que já estão saturadas e com muita água e com elevados caudais”, frisou.

O comandante nacional da ANEPC sublinhou que o quadro meteorológico previsto requer “redobrados cuidados” em várias matérias da vida quotidiana, em particular na circulação rodoviária.

“Reforçar que, mais uma vez, é um episódio de chuva, a chuva em si não terá grande impacto, mas aquilo que a chuva vai provocar nos diversos leitos de água será um problema significativo e poderá constituir-se como um risco, novamente, para toda a população portuguesa”, realçou.

Em risco significativo de inundações, destaca-se os rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, informou Mário Silvestre, indicando que estão também com risco de inundação os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.

O responsável da Proteção Civil alertou para todos os cursos de água que se situam na região Norte, em particular no Minho, porque “serão provavelmente aqueles que sofrerão mais impacto pela precipitação que se vai fazer sentir”, nomeadamente durante o dia de terça-feira.

Até ao momento, encontram-se ativados 11 planos distritais de emergência e proteção civil, entre os 18 distritos de Portugal continental, bem como “125 planos municipais e 19 declarações de situação de alerta decretadas pelos próprios municípios”, revelou Mário Silvestre.

O responsável da ANEPC disse ainda que o plano de especial de cheias para bacia do Tejo “continua no seu nível máximo, o nível vermelho”.

Ainda sobre os efeitos expectáveis da chuva intensa, o comandante da Proteção Civil reforçou o alerta para “cheias em cursos de água, que serão, obviamente, potenciadas pelo transbordo dos rios e das ribeiras, não sendo desprezível o risco de inundações em meio urbano, as designadas ‘flash floods’”, e para deslizamento de terras pela infiltração de água no solo, “com colapso de muros, taludes rodoviários e encostas, com potenciais interrupções de vias e isolamento de localidades”.

Outras das consequências previstas são o piso rodoviário bastante escorregadio e obstruído em algumas das zonas, nomeadamente com lençóis de água, e possíveis acidentes na orla costeira, também em virtude da agitação marítima, e “o arrastamento de objetos soltos para as vias rodoviárias continua a ser um problema”.

Para terça-feira, preveem-se nevoeiros e neblinas que poderão dificultar a questão do trânsito e da segurança rodoviária, acrescentou o responsável da ANEPC, reforçando que a chuva e a neblina poderão constituir-se “mais um fator para o agravamento do risco das populações”, sobretudo no âmbito da circulação rodoviária.

Por isso, a Proteção Civil reforçou que, se estiver a conduzir, não atravesse estradas inundadas, pare em local seguro e elevado, longe das linhas de água, evite túneis e passagens inferiores e, se estiver em casa, feche as portas, janelas e as torneiras do gás, desligue a eletricidade, mantenha-se nos andares superiores ou em pontos altos, afaste equipamentos elétricos da água e, se tiver de abandonar a casa, leve apenas o essencial, nomeadamente os medicamentos.

“Não caminhe em zonas inundadas. Mantenha a distância dos rios e ribeiras e das linhas de água. Não se aproxime de rios para filmar ou fotografar, [porque] poderá haver uma subida súbita do nível das águas. Alerte as autoridades sobre fissuras recentes no solo, quedas de árvores ou deslizamentos”, aconselhou a Proteção Civil, acrescentando que, em caso de queda de cabos elétricos, os cidadãos não devem tocar nem se aproximar, porque os cabos podem ainda estar em carga e provocar eletrocussão.

Questionado sobre a resposta às ocorrências associadas ao mau tempo, Mário Silvestre sublinhou que a prontidão de meios se mantém, com o ajustar do dispositivo conforme as necessidades, “mas não há um reforço de meios propriamente dito, uma vez que já estava reforçado desde o início destes episódios”.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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