A região da Lezíria do Tejo, Baixo Sorraia e Médio Tejo registou em janeiro níveis de precipitação muito acima do normal, com impactos significativos na atividade agrícola, segundo o Relatório do Estado das Culturas e Previsão de Colheitas da CCDR-LVT.
De acordo com o documento, na Lezíria do Tejo e Baixo Sorraia a precipitação acumulada foi “muito elevada relativamente à normal para a época”, tendo ocorrido praticamente todos os dias, por vezes com trovoada e granizo. No final do mês, “o teor de água no solo apresentava-se à capacidade de campo, índice CC superior a 99, em toda a região”, o que originou situações de encharcamento e alagamento persistentes.
Também no Médio Tejo os solos se mantiveram saturados. A precipitação acumulada situou-se cerca de 88 por cento acima da média e, em estações como Tomar, Valdonas, foi registada uma rajada máxima de 132,8 quilómetros por hora no dia 28. O relatório refere que “as condições meteorológicas foram desfavoráveis à instalação das culturas de inverno”, uma vez que a chuva persistente impediu a entrada de maquinaria nos terrenos.
Na Lezíria do Tejo e Baixo Sorraia não foram realizadas sementeiras de cereais praganosos durante o mês, mantendo-se apenas as áreas reduzidas instaladas em novembro. O documento antevê que “não existirão condições para a realização de novas sementeiras”, devido à saturação e alagamento dos solos. As plantas instaladas apresentavam sintomas de asfixia radicular, com amarelecimento e morte em várias parcelas.
O excesso de água afetou igualmente as pastagens e culturas forrageiras. Na Lezíria e no Baixo Sorraia, “as pastagens apresentavam um desenvolvimento reduzido” e o encharcamento não permitiu cortes precoces, essenciais para melhorar a qualidade das forragens. No Médio Tejo, os bovinos em regime extensivo mantiveram-se estabulados, com recurso acrescido a fenos e rações industriais, uma vez que as pastagens não reuniam condições para pastoreio.
Nos olivais das duas regiões, a saturação hídrica e as baixas temperaturas provocaram “descoloração foliar, favorecida por alguma asfixia radicular pontual”. Ainda assim, a campanha 2024, 2025 foi globalmente positiva. Na Lezíria do Tejo e Baixo Sorraia, “a produtividade média foi superior à da campanha anterior” e o rendimento em azeite rondou os 14 por cento, com a maior parte dos azeites classificados como virgem extra.
No Médio Tejo, a produção também superou a do ano anterior, com rendimentos médios entre 11 e 12 por cento nos olivais tradicionais.
Na cultura dos citrinos, a laranja na Lezíria apresentou produção inferior à dos últimos anos, agravada pela queda de frutos devido ao vento forte no final do mês. O relatório assinala, contudo, “uma ligeira melhoria da qualidade e do calibre dos frutos”, admitindo expectativa de subida de preços face à menor oferta.
O documento, datado de 9 de fevereiro de 2026, conclui que as condições extremas de janeiro condicionaram de forma transversal a atividade agrícola no Vale do Tejo e Sorraia, com atrasos nas sementeiras, dificuldades nas colheitas e aumento dos custos operacionais, num contexto de solos totalmente saturados e reservas hídricas acima da média para a época.





