A Assembleia Municipal da Chamusca aprovou, na noite de 30 de dezembro, o Orçamento Municipal para 2026 por maioria com um valor a ascender a 20,3 milhões de euros, após um debate marcado pelo confronto de visões entre o atual presidente da Câmara, Nuno Mira, e vários deputados municipais. O documento foi validado com os votos da maioria socialista, apesar das reservas expressas por eleitos da oposição e por antigos responsáveis autárquicos quanto às opções de distribuição de verbas em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do concelho.
O Orçamento Municipal da Chamusca para 2026 ascende a cerca de 20,3 milhões de euros, mantendo-se próximo daquele que tinha sido apresentado para 2025 como o maior orçamento da história do concelho. As Grandes Opções do Plano para 2025 tiveram um valor global na ordem dos 20 milhões de euros, quadro de referência que serve de comparação política no debate atual em torno da distribuição de verbas para 2026.
Nuno Mira defendeu o orçamento como um instrumento de continuidade e de consolidação da estratégia municipal, sublinhando que as prioridades passam pelo apoio às famílias e empresas, pela coesão social e territorial, pela proteção civil e por investimentos faseados na habitação e requalificação urbana. O autarca insistiu na ideia de responsabilidade financeira e de adequação do esforço de investimento à capacidade real de execução, argumentando que algumas rubricas foram ajustadas para evitar o que classificou como “orçamentos inflacionados” e pouco realistas em anos anteriores.
Do lado da oposição e das bancadas mais críticas, as intervenções centraram-se sobretudo na leitura política das opções de corte e reforço de verbas entre setores. Deputados de diferentes forças apontaram perda de ambição em determinados domínios, questionando se o orçamento está à altura dos desafios que o concelho enfrenta ao nível da atração de investimento, da fixação de população e da modernização de serviços e infraestruturas.
A intervenção mais dura partiu do ex-presidente da Câmara Paulo Queimado, agora na qualidade de deputado municipal, que acusou o novo executivo de reduzir a dotação em áreas que considera estruturais para o futuro da Chamusca. Recordando que, enquanto presidente, apresentou o “maior orçamento da história do concelho”, com forte aposta em coesão social, educação, ambiente, mobilidade e grandes projetos como a requalificação da escola sede e do arquivo municipal, Queimado criticou o recuo de verbas nesses eixos e alertou para o risco de se perder o “momento de alavancagem” criado pelos fundos europeus.
Paulo Queimado falou em “desinvestimento encapotado” em áreas como a educação e qualificação do potencial humano, a sustentabilidade ambiental e a regeneração urbana, que no orçamento anterior concentravam parte substancial das Grandes Opções do Plano. Na sua leitura, a redução de investimento nestes capítulos representa um sinal político de menor prioridade à modernização de infraestruturas e à criação de condições para fixar jovens e empresas no concelho, podendo comprometer a competitividade da Chamusca face a territórios vizinhos.
Nuno Mira rejeitou a ideia de desinvestimento estrutural e respondeu que a nova proposta procura recentrar recursos em projetos executáveis, evitando acumular saldos de gerência elevados e verbas sucessivamente reprogramadas. O presidente assegurou que a coesão social, a melhoria do espaço público, a proteção civil e a habitação se mantêm como eixos centrais, mas com cronogramas e montantes ajustados a uma “gestão mais prudente”, reforçando que a maioria quer ser avaliada pela concretização no terreno e não apenas pela dimensão numérica das dotações.
Apesar das críticas, a maioria dos deputados acabou por viabilizar o documento, permitindo a aprovação do orçamento e das Grandes Opções do Plano para 2026. As declarações finais das bancadas evidenciaram, porém, que a discussão sobre a escala e o rumo do investimento municipal permanecerá no centro do debate político local ao longo do próximo ano.





