Central termoelétrica da Chamusca prepara mudança de combustível

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A Termogreen, Lda. está a promover um projeto de adaptação da central termoelétrica que opera no Eco-Parque do Relvão, na freguesia da Carregueira, concelho da Chamusca, para passar a valorizar energeticamente resíduos não perigosos, em substituição parcial ou total da biomassa florestal atualmente utilizada. A alteração é de natureza essencialmente operacional, não prevendo obras de ampliação nem modificações relevantes na caldeira, turbina, gerador ou restantes equipamentos principais da unidade, mantendo-se a potência térmica instalada de 18 MW.​

O projeto, que está em consulta pública até 8 de janeiro, encontra-se em fase de Projeto de Execução e sujeito a Estudo de Impacte Ambiental (EIA), cujo Resumo Não Técnico, foi concluído em outubro de 2025, no âmbito do processo de licenciamento ambiental e de valorização de resíduos coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). A APA é a autoridade responsável pela Avaliação de Impacte Ambiental e pela emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA), enquanto a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) assegura o licenciamento para a produção de energia elétrica.​

De acordo com o documento, a Termogreen pretende valorizar resíduos não perigosos, não recicláveis mas com potencial energético, reduzindo a deposição em aterro, promovendo a economia circular e diminuindo a dependência de biomassa florestal. A empresa argumenta ainda que a diversificação da matriz de combustíveis reforça a resiliência económica da instalação, reduz o uso de combustíveis fósseis e se alinha com metas nacionais e europeias de descarbonização e de gestão de resíduos, como o PNEC 2030 e o PNGR 2030.​

O processo de combustão manterá o forno rotativo já existente, operando entre 850 °C e 950 °C, com apoio de um queimador a gás natural quando necessário, assegurando tempos de residência dos gases superiores a 2 segundos e teor mínimo de oxigénio de 6%. Para controlo de óxidos de azoto (NOx) será instalada uma unidade de Redução Seletiva Não Catalítica (SNCR), com injeção de solução de ureia a 46% em dois pontos do circuito de gases, permitindo uma redução estimada entre 40 e 60% das emissões deste poluente, em conformidade com a legislação aplicável.​

O EIA conclui que a mudança de combustível não gera impactes ambientais negativos significativos, prevendo-se apenas variações no perfil das emissões atmosféricas e na composição das cinzas e escórias, mas com concentrações modeladas sempre abaixo dos limites legais para proteção da saúde humana. A avaliação aponta ainda para uma redução de cerca de 19,1% das emissões de CO2 equivalente, associada à substituição de biomassa por resíduos não perigosos, à autossuficiência energética da central e à diminuição de emissões de transporte devido à proximidade das fontes de combustível.​

A Termogreen manterá a monitorização contínua das emissões atmosféricas, a análise regular dos resíduos recebidos e o controlo de efluentes e ruído, bem como o encaminhamento de resíduos perigosos e não perigosos para operadores licenciados. Entre os impactes positivos, o estudo destaca o contributo para a economia circular, a redução da deposição em aterro e a otimização de uma infraestrutura industrial já existente numa zona vocacionada para a gestão e valorização de resíduos.​

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