A 27.ª edição da Cartoon Xira abriu portas no sábado, 7 de março, no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira, reunindo perto de 220 trabalhos que revisitam, através do humor e da crítica, os acontecimentos mais marcantes da atualidade. A mostra, promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, pode ser visitada até 31 de maio e tem entrada livre.
Ao todo estão expostos 216 cartoons. Destes, 110 integram a exposição “Cartoons do Ano 2025”, uma retrospetiva assinada por alguns dos mais reconhecidos cartoonistas portugueses, entre os quais António Antunes, André Carrilho, António Maia, Cristina Sampaio, Henrique Monteiro, João Fazenda, Nuno Saraiva, Pedro Ribeiro Ferreira, que participa pela primeira vez, Pedro Silva, Rodrigo de Matos e Vasco Gargalo.
A edição deste ano inclui ainda a exposição “Caricaturas”, dedicada à artista espanhola Maria Picassó, com 106 obras. Natural de Manresa, na Catalunha, a autora formou-se em arquitetura e tem vindo a afirmar-se internacionalmente no universo do cartoon e da caricatura. Segundo a organização, apresenta “um traço depurado e uma abordagem contemporânea à caricatura”. Entre os reconhecimentos que recebeu contam-se a Medalha de Prata dos World Humour Awards, em 2022, e dois prémios Bronze ÑH – Design de Imprensa na Península Ibérica, em 2015 e 2021.
A cerimónia de inauguração contou com a presença da vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Marina Tiago, que destacou a importância da iniciativa no panorama cultural. “A Cartoon Xira marca, há muitos anos, o calendário nacional e internacional de eventos deste tipo, porque conjuga a capacidade do olhar crítico sobre a nossa sociedade contemporânea com o grafismo, o conhecimento, a capacidade cultural e o olhar de cada um dos artistas sobre o contexto que nos rodeia”, afirmou.
Para a autarca, a exposição assume também um papel na construção da memória coletiva. “Através dos cartoons de cada ano construímos um grande mosaico histórico”, defendeu, acrescentando que estas obras funcionam igualmente como uma “ferramenta cultural e pedagógica porque permitem a discussão em cada imagem da mensagem que o autor incorporou para produzir o desenho”.
Marina Tiago sublinhou ainda a importância da liberdade criativa no cartoon. “Nos tempos em que vivemos, é esta liberdade que temos de acarinhar e defender, a liberdade de decidir na nossa produção cultural quem queremos caricaturar, o que queremos caricaturar, e a liberdade de o dizer e de o fazer”, afirmou.
A curadoria da exposição volta a estar a cargo de António Antunes, uma das figuras maiores do cartoon português, que salientou a qualidade e a relevância do evento, consolidado como referência no panorama nacional.
Também presente na inauguração, a escritora e jornalista Mafalda Anjos destacou o papel do cartoon editorial no contexto atual dos media. “A arte do cartoon editorial é uma arte de resistência”, afirmou.
Autora do prefácio dos livros associados à exposição, Mafalda Anjos considera que os cartoonistas desempenham um papel essencial na leitura do tempo presente. “Os cartoonistas fazem uma espécie de liofilização do que são os grandes factos do ano, condensam num conjunto de desenhos as coisas mais importantes, quase que adiantam o trabalho dos historiadores quando, daqui a 10 ou 20 anos, olharem para trás e identificarem o que é que foi realmente muito importante”, defendeu.
Reconhecida a nível nacional e internacional, a Cartoon Xira propõe assim uma viagem pelos acontecimentos sociais, culturais e políticos recentes, utilizando o humor gráfico e a linguagem visual do cartoon como instrumentos de reflexão crítica sobre a sociedade contemporânea.

































