O Presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho, irá apresentar esta segunda-feira, em reunião de câmara, a fórmula encontrada pela autarquia para distribuir o apoio de 450 mil euros aos Bombeiros de Benavente e Samora Correia.
Em declarações ao NS, Carlos Coutinho anunciou que o dinheiro do orçamento municipal reservado para o apoio às associações humanitárias será distribuído segundo a fórmula da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), “adaptada à realidade do concelho de Benavente”, isto depois de “as associações não se terem entendido quanto ao modelo de distribuição da verba”.
Para Carlos Coutinho, “é lamentável toda esta situação”, que, recorde-se, terminou com a demissão de Nuno Martins da presidência da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Benavente.
“Temos duas associações de bombeiros no nosso município, ambas com história e um percurso construído por homens e mulheres ao longo de muitos anos”, pelo que o autarca entende que “devemos respeitar essas instituições e valorizar o trabalho que tem sido feito”, ainda que a situação verificada em Benavente, com dois corpos de bombeiros num território de média dimensão, seja algo muito raro no país. Contudo, o autarca salienta que “sempre respeitámos essa realidade e procurámos contribuir através do diálogo próximo e responsável, tentando aproximar as duas instituições”, que “têm a mesma missão e o mesmo objetivo, ainda que atuem em áreas territoriais diferentes, mas complementares.”
Referindo que a realidade atual do concelho de Benavente “duplica alguns custos”, como as centrais telefónicas, Carlos Coutinho entende que esta é uma realidade que tem procurado, “dentro das nossas possibilidades”, “contribuir para que disponham das melhores condições para prestar um socorro fundamental – com qualidade, competência e prontidão.”
Considerando que “os bombeiros são voluntários, mas há uma componente cada vez mais profissional”, a autarquia avançou nos últimos anos com a constituição de cinco Equipas de Intervenção Permanente (EIP) (duas em Benavente e três em Samora Correia), que representam um custo de cerca de 250 mil euros anuais aos cofres da autarquia, num investimento que considera “essencial para apoiar a realidade dos bombeiros”.
Em 2025, o apoio regular da Câmara Municipal de Benavente, fruto do entendimento entre a CDU e o PSD para a aprovação do Orçamento Municipal, “aumentou 140 mil euros”, a que se juntam os apoios extraordinários, aos quais o Município sempre tenta dar uma resposta positiva.
Atualmente, o Município de Benavente irá distribuir 450 mil euros entre os Bombeiros de Benavente e Samora Correia. “São verbas significativas e, por conseguinte, temos tido sempre esta sensibilidade e esta consciência de que é importante contribuirmos com regras”, salienta Carlos Coutinho, que lamenta depois que “não tenha havido entendimento entre as associações”, facto que levou à demissão de Nuno Martins.
“Ao longo dos últimos tempos, os bombeiros de Samora Correia falaram comigo para que a situação (distribuição de fundos) fosse devidamente regulamentada”, refere Carlos Coutinho, que acrescenta que, durante a elaboração do documento, sempre tentou “que existisse entendimento entre as associações”, facto que se demonstra agora impossível, depois dos Bombeiros de Benavente pretenderem uma distribuição no modelo “50% – 50%” e os de Samora Correia uma distribuição que tivesse em conta o número de operacionais, o número de ocorrências, entre outras ponderações.
Com o objetivo de não colocar em causa a estabilidade financeira de nenhuma das instituições, e sem entendimento entre Benavente e Samora Correia, o Presidente da Câmara Municipal de Benavente foi forçado a tomar uma posição, com uma fórmula encontrada pela autarquia.
“Infelizmente, nós tínhamos feito um caminho de aproximação que achamos que deve acontecer”, mas que acabou por não resultar, considerando Carlos Coutinho que “houve aqui um conjunto de fatores que certamente também contribuíram para isto, e jogadas de bastidores, digamos assim, que levaram a que aquilo que era um caminho de convergência não terminasse da melhor forma.”
Uma vez que não houve entendimento, Carlos Coutinho salienta que irá apresentar “uma proposta que me parece a mais coerente, atendendo às questões em consideração”.





