A presidente da Região de Turismo de Lisboa, Carla Salsinha, defendeu uma aposta reforçada na autenticidade e nas tradições de Vila Franca de Xira como fator diferenciador da oferta turística regional, sublinhando o potencial do concelho para captar cada vez mais visitantes nacionais e internacionais.
“Todos os nossos concelhos são diferentes e eu acho que Vila Franca tem uma oferta que já tem muito prestígio e que já tem algum caminho feito, agora é preciso personificá-la mais e dar lhe mais valor”, afirmou ao NS, esta sexta-feira, na BTL em Lisboa, destacando eventos e marcas identitárias do território. Entre eles, referiu o Festival de Cartoon – CartoonXira, que considerou “super conhecidíssimo”.
A responsável destacou ainda a importância da Festa do Colete Encarnado, que descreveu como “um momento único, que atrai um público único”, sublinhando que o evento vai muito além da componente taurina. “O Colete Encarnado não é só a parte taurina, tem a outra parte fantástica do mundo dos campinos, daquela cerimónia que é feita em frente à Câmara Municipal, que é muito emotiva e muito das nossas tradições”, afirmou.
Para Carla Salsinha, é precisamente essa dimensão identitária que responde às novas motivações da procura turística. “É isso que os turistas hoje procuram, quer os turistas internacionais, quer os nacionais. O que procuram é autenticidade. E eu acho que Vila Franca pode oferecer isso”, frisou.
A presidente da entidade regional revelou ainda dados recentes que apontam para uma evolução positiva do turismo na região. “Em 2025, o turismo internacional cresceu 0,3%o e o nacional cresceu 4,5%. Isto quer dizer que muitos nacionais, fora da nossa região, estão a conhecer a região”, explicou, defendendo que a estratégia deve passar por valorizar aquilo que é diferenciador. “O que temos de oferecer é o mais diferenciador que existe e Vila Franca tem isso”, acrescentou.
Questionada sobre o peso da tauromaquia na identidade local, Carla Salsinha foi clara. “Nós não temos que deixar de preservar aquilo que é nosso. Há público para todos, há quem goste e há quem não goste, respeitando tudo. Mas é uma tradição nossa. Vila Franca é uma cidade taurina e temos de preservar essa identidade, respeitando os que não gostam”, afirmou, defendendo uma abordagem equilibrada que valorize as raízes sem excluir sensibilidades.
A responsável salientou também outras valências do concelho, como a lezíria e a experiência de contacto com a paisagem natural. “Ter um turista que consegue entrar pela Lezíria e desfrutar daquilo é único. Vila Franca tem aqui uma oferta tão diferenciada”, disse, sublinhando que a autenticidade deve ser o eixo central da promoção. “Aquilo que Vila Franca tem de explorar são as suas raízes, as suas tradições. Nós, como entidade regional de turismo, devemos ajudar a qualificar essa oferta e, acima de tudo, promovê la”, reforçou.
Sobre a possibilidade de reforçar a navegabilidade do Tejo e criar novas ligações fluviais entre Lisboa e a Lezíria, Carla Salsinha considerou tratar se de uma oportunidade estratégica. “Sem dúvida. Nós, como país e como região, temos o mar, temos dois rios, o Tejo e o Sado. Somos um povo ligado ao mar e ao rio e temos de voltar às nossas raízes e explorar mais essa dimensão. Acho isso fundamental”, concluiu.





