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Campanha do melão marcada por boa produção e vendas mais fracas

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A campanha do melão em Alpiarça está a decorrer com sinais contraditórios: se, por um lado, a qualidade do produto é apontada como das melhores dos últimos anos, por outro, os produtores enfrentam dificuldades na comercialização, pressionados pela concorrência externa e pela descida de preços.

No mercado local, Bela Arraiolos descreve um abrandamento nas vendas nas últimas semanas. “Agora está um bocadinho parado, está-se a vender pior e os preços também baixaram”, afirma, apontando diretamente à entrada de melão espanhol como principal fator de pressão. A maior oferta, muitas vezes a preços mais baixos, leva os consumidores a optar pelo produto mais económico, mesmo quando a qualidade do melão nacional é superior.

Apesar das dificuldades na venda, a produção apresenta indicadores positivos. “O melão está bom, está riscadinho, está pesado”, sublinha a produtora, destacando a qualidade do fruto nesta campanha. Ainda assim, o início da época ficou marcado por constrangimentos climáticos. As cheias atrasaram as plantações em cerca de duas semanas, obrigando os agricultores a esperar pelo escoamento das águas. Mais tarde, as altas temperaturas acabaram por compensar esse atraso, acelerando o desenvolvimento das culturas, embora também tenham provocado queimaduras nos frutos mais expostos.

Também Nuno Galvão de Melo, produtor desde 2011, confirma uma campanha globalmente positiva ao nível da produção, mas com oscilações no mercado. “Houve muita procura, sobretudo com o calor, mas agora nota-se algum decréscimo”, explica. Tal como outros produtores, identifica a concorrência — não só espanhola, mas também de outras regiões nacionais — como um dos principais desafios. “Perante a concorrência conseguimos trabalhar de forma diferente, mas pode-se dizer que prejudica”, admite.

Além das questões de mercado, os produtores apontam problemas estruturais no apoio ao setor. Nuno Galvão de Melo refere a falta de condições no espaço de venda, lembrando que, ao longo dos anos, vários produtores abandonaram a atividade. A inexistência de infraestruturas básicas e a redução da promoção do melão de Alpiarça são apontadas como fragilidades. O desaparecimento do antigo Festival do Melão, que atraía visitantes e meios de comunicação nacionais, é visto como um retrocesso. “Era um fim de semana forte, vinha a RTP. Agora perdeu-se essa dinâmica”, lamenta.

A mesma preocupação é partilhada quanto à atual estratégia de promoção, considerada insuficiente e pouco vantajosa para os produtores, que continuam a ser chamados a fornecer produto para eventos sem retorno direto garantido.

Já António Petinga, com décadas de ligação à cultura do melão, oferece uma perspetiva mais abrangente sobre a evolução do setor. Destaca que este ano houve uma concentração da produção: “O melão chegou todo ao mesmo tempo”, resultado da conjugação entre as cheias iniciais e o calor intenso posterior. Essa abundância no mercado contribuiu para a descida dos preços, dificultando a rentabilidade.

Ainda assim, deixa uma nota claramente positiva quanto à qualidade: “Este ano o melão é melhor que nos outros anos, mais doce e mais alinhado”, afirma, reforçando a ideia de que as condições climáticas, apesar dos desafios, acabaram por beneficiar o produto final.

Entre uma produção de elevada qualidade e um mercado cada vez mais competitivo, a campanha do melão em Alpiarça revela um setor resiliente, mas confrontado com desafios estruturais e conjunturais que continuam a condicionar o seu futuro.

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