A decisão da Câmara Municipal do Cartaxo de proibir a circulação de veículos pesados na circular urbana da cidade voltou a colocar na agenda um dos problemas mais antigos e sentidos pelos habitantes de Samora Correia: a passagem diária de centenas de camiões pelo centro urbano através da Estrada Nacional 118, na Avenida “O Século”.
A presidente da Câmara Municipal de Benavente, Sónia Ferreira, revelou que o município está a trabalhar com as Infraestruturas de Portugal (IP) numa solução que permita reduzir significativamente o trânsito pesado que atravessa a cidade, admitindo mesmo que o futuro desenvolvimento associado ao novo aeroporto possa criar condições para uma solução estrutural definitiva.
A autarca explicou que a situação de Samora Correia é distinta da verificada no Cartaxo, uma vez que a via em causa não é municipal, mas sim uma estrada nacional sob gestão das Infraestruturas de Portugal. Ainda assim, garantiu que o processo está em andamento e que existe a intenção de avançar, numa primeira fase, para a limitação da circulação de veículos pesados no interior da cidade.
“Temos esse processo em andamento também com a IP. Relativamente ao Cartaxo, era uma estrada municipal, daí ter sido mais fácil de resolução, porque dependia de uma decisão da Câmara Municipal retirar o trânsito pesado aqui do centro do Cartaxo. No que diz respeito a Samora Correia não é exatamente o mesmo tema porque trata-se de uma estrada nacional”, afirmou.
Segundo Sónia Ferreira, a solução passa inicialmente pela proibição do trânsito pesado no atravessamento urbano da EN118, sendo que, numa fase posterior, poderá surgir uma nova circular rodoviária que retire definitivamente este tráfego do centro da cidade.
“Numa primeira fase, uma proibição de trânsito a pesados e futuramente, até com as obras do novo aeroporto, fazerem uma nova circular para retirar [o trânsito do centro da cidade]”, adiantou.
A presidente da autarquia não esconde que considera esta intervenção uma prioridade para a melhoria da qualidade de vida dos residentes, defendendo que o elevado fluxo de camiões constitui um problema que se arrasta há demasiado tempo.
“Agora aquilo que é mesmo importante é uma proibição a trânsito pesado ali pelo centro de Samora Correia”, sublinhou.
Enquanto não surgem medidas concretas por parte das entidades competentes, a Junta de Freguesia de Samora Correia avançou recentemente com a colocação de painéis informativos destinados a sensibilizar os condutores de veículos pesados para a utilização de percursos alternativos. Embora reconheça que a medida tem apenas um caráter informativo, Sónia Ferreira considera que os primeiros resultados são encorajadores. “A Junta de Freguesia tomou a iniciativa de colocar lá uns outdoors informativos, meramente informativos, mas daquilo que me têm dito, tem dado resultado. Já se nota uma diminuição do trânsito pesado em Samora Correia”, referiu.
A travessia urbana de Samora Correia pela EN118 é há muitos anos motivo de preocupação para moradores, comerciantes e autarcas, devido ao elevado número de veículos pesados que diariamente circulam pela Avenida O Século e por outras artérias centrais da cidade. A intensidade do tráfego tem sido apontada como responsável por problemas de segurança rodoviária, ruído, degradação do pavimento e perda de qualidade de vida para quem vive e trabalha naquela zona.
A discussão ganhou novo fôlego após a entrada em vigor, no início deste mês, da proibição da circulação de pesados na circular urbana do Cartaxo, uma medida justificada pelo desgaste da infraestrutura e pela necessidade de reforçar a segurança rodoviária. Em Samora Correia, a expectativa é agora que as negociações entre o Município de Benavente e as Infraestruturas de Portugal possam traduzir-se em medidas concretas que permitam retirar do centro urbano uma parte significativa do tráfego que diariamente atravessa a cidade.





