O mês de julho de 2025 ficou marcado, na Lezíria do Tejo e no Baixo Sorraia, por fortes oscilações térmicas que condicionaram o desenvolvimento das culturas agrícolas. De acordo com o Boletim do Estado das Culturas e Previsão das Colheitas de julho, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT), as temperaturas máximas registaram valores bastante acima do normal para a época, enquanto as mínimas se situaram abaixo do habitual. Na estação meteorológica de Santarém/Fonte Boa foi registada uma amplitude térmica máxima de 23,7ºC no dia 15 e, em Coruche, o mesmo dia marcou um valor recorde de 27,5ºC.
A precipitação foi praticamente inexistente, muito abaixo da média para esta altura do ano: 42,4% em Santarém e 44,2% em Coruche. Ainda assim, as reservas de água superficiais, apesar de apresentarem descida, mantiveram-se acima do normal para a época, garantindo rega e abeberamento das espécies pecuárias. No solo, o teor de água caiu face a junho, situando-se maioritariamente entre os índices CC [21,40] e CC [11,20], embora se tenham registado situações extremas, como manchas de seca severa em Santarém (CC [1,10]) e níveis mais favoráveis em Coruche (CC [41,60]).
No campo agrícola, o tempo seco e quente trouxe efeitos mistos. Por um lado, permitiu controlar doenças fúngicas em culturas como a vinha, a batata e as nogueiras. Por outro, provocou stress hídrico nos citrinos, em particular na laranja cultivada em solos mais arenosos. O tomate para indústria beneficiou das temperaturas elevadas, que aceleraram a maturação dos frutos nas plantações precoces, enquanto na batata se verificou interrupção do crescimento de tubérculos já formados e o aparecimento de novas tuberizações.
Nas vinhas, o desenvolvimento vegetativo manteve-se vigoroso e saudável, embora se preveja uma menor produtividade em comparação com 2024, ainda que com uvas de boa qualidade, equilibradas em açúcares e acidez. Nos olivais, as condições foram favoráveis e indicam uma campanha positiva, com produtividade superior à do ano anterior. Já no arroz, o vento dificultou alguns tratamentos e registou-se uma forte presença de infestantes como milhãs e arroz bravo, resistentes aos herbicidas.
Os produtores enfrentaram também a pressão de pragas e fauna selvagem. Javalis, patos, gaivotas e ibis provocaram estragos em arrozais, obrigando a ressementeiras, enquanto no milho foi identificado o vírus do nanismo com intensidades variáveis. No amendoal, a antracnose manteve-se ativa com eficácia limitada dos tratamentos, prevendo-se que afete a produção.
Apesar das dificuldades, as condições gerais de julho permitiram recuperar atrasos das sementeiras e plantações tardias, garantindo perspetivas de colheitas equilibradas em várias culturas. O boletim da CCDRLVT conclui que a Lezíria do Tejo e o Baixo Sorraia atravessam uma campanha desafiante, mas ainda com margens de resiliência assentes na boa disponibilidade hídrica e na capacidade de adaptação dos agricultores.





