As temperaturas acima do normal registadas em abril aceleraram o desenvolvimento das culturas agrícolas na Lezíria do Tejo e no Baixo Sorraia, mas a escassez de chuva e a secagem precoce das pastagens começam já a preocupar os agricultores da região, segundo o mais recente relatório do Estado das Culturas e Previsão das Colheitas da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).
O documento refere que abril foi um mês “muito seco”, com precipitação “muito inferior ao normal para a época”, ainda que as reservas de água superficiais e subterrâneas se mantenham acima da média, garantindo, para já, “boa disponibilidade hídrica para o abeberamento de animais e para as necessidades culturais”.
Na Lezíria do Tejo e Sorraia, o calor acelerou significativamente os ciclos vegetativos das culturas. “As temperaturas elevadas provocaram uma aceleração acentuada do ciclo vegetativo” nas vinhas para vinho, refere o relatório, acrescentando que se verifica “um adiantamento fenológico de cerca de uma semana e meia face ao ano anterior”.
Também o milho, os citrinos e o olival beneficiaram das condições climatéricas. Segundo a CCDR-LVT, “as condições meteorológicas promoveram o desenvolvimento vegetativo” do milho, enquanto nos olivais “as condições meteorológicas favoreceram a floração, sem adversidades registadas”.
No entanto, os efeitos da ausência prolongada de precipitação já começam a sentir-se nas pastagens e forragens. O relatório indica que “muitas pastagens de sequeiro começaram a secar muito rapidamente devido às elevadas temperaturas e escassa precipitação”, apresentando “dificuldade de recuperação vegetativa”.
As culturas forrageiras registam igualmente perdas de produtividade. No caso do azevém, “foi apenas efetuado um corte, feito tardiamente, com as plantas já um pouco secas e de qualidade inferior devido ao menor teor proteico”. A CCDR-LVT sublinha ainda que “a produtividade foi bastante menor do que no ano anterior”.
Entre os produtores pecuários começam também a surgir preocupações relacionadas com o aumento dos custos de produção. O relatório alerta que “a subida do preço dos combustíveis já estava a causar um forte impacto nos custos de produção”, sobretudo devido ao aumento do preço do gasóleo agrícola e das rações.
Na cultura da batata, apesar das boas perspetivas produtivas, os agricultores enfrentam dificuldades económicas. O documento refere que “as condições mais preocupantes na campanha são as condições de mercado e a subida dos custos de produção”, admitindo que “muitos produtores poderão ficar numa situação muito desconfortável financeiramente e sem sustentabilidade económica”.
Também as culturas cerealíferas sofreram fortes impactos devido às condições meteorológicas dos meses anteriores. A CCDR-LVT destaca que “as áreas semeadas com culturas cerealíferas foram muito reduzidas” e que em terrenos com má drenagem “verificou-se morte de plantas por asfixia radicular”.
Do ponto de vista fitossanitário, o relatório identifica ainda pressão de doenças e pragas em várias culturas da região. Nas vinhas foram observados “sintomas de míldio nas folhas e, principalmente, nos cachos”, enquanto na batata se verificou “muita pressão de pragas e doenças, como o míldio e a rizoctonia”.
Apesar das dificuldades, a melhoria do estado do tempo durante abril permitiu aos agricultores recuperar algum atraso nos trabalhos agrícolas provocados pelas chuvas intensas do inverno, tendo sido possível realizar “todas as operações agrícolas no campo com normalidade”.





