Depois de algum tempo de aparente normalidade, com a regularização das carreiras dos assistentes operacionais para a de sapadores, os Bombeiros Municipais de Coruche voltaram nos últimos dois a três meses a viver tempos conturbados e que podem mesmo colocar em causa o socorro da população.
Sabe o NS que esta atitude dos operacionais poderá estar relacionada com uma desejada alteração horária e remuneratória cobiçada por alguns dos bombeiros, que têm ligação a um sindicato, com quem a autarquia de Coruche, que gere o corpo de bombeiros, tem reunido nos últimos meses.
Nos últimos meses são inúmeros os atrasos na saída para as ocorrências, recusas de operacionais em acorrer às emergências, que em alguns casos podem mesmo configurar crimes por recusa e omissão de auxílio.
Uma das situações mais graves, e que tem levantado algumas dúvidas, ocorreu ao início da manhã do dia 25 de Dezembro. Segundos antes das 7.30 horas da manhã chega um pedido do CODU – Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM para a necessidade de socorrer um doente a cerca de 10 quilómetros do quartel.
O socorro chegou somente à casa do doente pelas 08.06 horas, porque a equipa que se encontrava ao serviço de socorro alegou que teria que se sair às 8 horas, quando terminava o seu turno, o que fez com que o socorro fosse prestado ao doente cerca de 40 minutos após a primeira chamada. O doente viria a falecer três horas depois no Hospital Distrital de Santarém.
Fonte familiar contactada pelo NS refere não ter noção do tempo que demorou a chegada dos meios de socorro, mas que sabe existirem algumas ‘divergências’ no corpo de bombeiros.
Outro dos casos de atraso de socorro ocorreu num acidente na Estrada Nacional 251, a 4 de Dezembro. Sabe o NS que a Guarda Nacional Republicana, ao chegar ao local, teve que estar junto das vítimas, duas, e aguardou cerca de 15 minutos pela chegada dos meios de socorro dos bombeiros.
Para essa ocorrência houve mesmo a necessidade de activar a sirene.
Em inúmeras intervenções, são frequentes as chegadas após a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital de Santarém, ou da GNR, em casos onde esta seja envolvida.
O sistema de alerta para aos operacionais que não se encontram escalados funciona através de telefones que foram disponibilizados pelos bombeiros aos operacionais, que muitas vezes não são atendidos, nem lidas as mensagens.
Com as ‘negas’ dadas pelos operacionais, há muitas vezes a necessidade de activar meios de socorro de outras corporações de concelhos vizinhos de Coruche.
São muitas as equipas que ao passarem junto do quartel dos Bombeiros Municipais de Coruche ficam incrédulas ao verem todas as viaturas parqueadas, o que está a gerar algum mau ambiente entre as corporações.
Bombeiros recebem subsídio de disponibilidade permanente
Os operacionais afectos à carreira de sapador bombeiro estão desde o ano passado a receber o subsídio de disponibilidade permanente, de modo a que possa ser garantida a sua disponibilidade para ocorrer às ocorrências.
Ainda assim são muitos os que alegadamente se negam a responder às ocorrências às quais são chamados.
Oito processos desde Janeiro
Sabe o NS que, só desde Janeiro, o Comandante da corporação levantou oito processos disciplinares a operacionais que terão recusado socorrer vítimas.
Os processos estão agora com os juristas da Câmara Municipal de Coruche.
Bombeiro vandaliza ambulância e processo acaba arquivado
O arquivamento de um processo movido a um operacional que em Setembro vandalizou uma ambulância do INEM, deixando o veículo inoperacional durante cerca de duas semanas, deixou um rasto de alegada ‘impunidade’ entre os operacionais.
Por sentirem que o colega que vandalizou a ambulância, e tentou mesmo agredir um colega, não foi penalizado, os operacionais desvalorizam agora os processos disciplinares movidos pela cadeia de comando.
Carreira de sapador dá mais 400 euros/mês que voluntariado
Com a regularização das carreiras dos Bombeiros Municipais de Coruche, com a passagem de assistentes operacionais a bombeiros sapadores os operacionais ganham cerca de 400 euros/mês mais que os seus colegas dos corpos de Bombeiros Voluntários.
Segundo o NS conseguiu saber, um bombeiro sapador aufere cerca de 1200 euros mês, com todos os subsídios e descontos, contra os cerca de 800 de um bombeiro voluntário que integre as equipas de intervenção permanente.
Comandante e Câmara confirmam processos disciplinares
Contactados pelo NS, o Comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche, Luís Fonseca, e o Presidente da Câmara Municipal de Coruche, Francisco Oliveira, confirmam a existência dos processos disciplinares, referindo que se encontram a ser ouvidos todos os intervenientes e aguardam as decisões dos juristas.





