Bernardo Marona é o “Vagabond” escalabitano que quer dar a volta ao mundo

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Bernardo Marona não é um viajante convencional. O jovem natural de Santarém, com formação em Engenharia Automóvel, prepara-se para a sua maior odisseia: dar a volta ao mundo de carro, unindo a paixão pelas viagens ao desporto.

O novo projeto de Bernardo, na página de Instagram Vagabond, chama-se “Vamos Ver” — uma referência inspirada num célebre discurso do treinador de futebol Ruben Amorim. A ideia central é dar a volta ao mundo ao volante de um carro, parando em diversos países para experienciar o ambiente desportivo local. O objetivo passa por explorar desde os intensos estádios da Turquia, da Grécia ou da China, até à febre do futebol na Argentina, documentando e partilhando a cultura desportiva de cada região.

Para financiar a compra do veículo, o escalabitano adotou uma estratégia inédita. Diariamente, Bernardo lança uma votação com prognósticos diários na página de Instagram, e por cada um que acertar vai colocar num metafórico mealheiro uma quantia por cada seguidor que a sua página tem, criando uma comunidade onde todos “puxam para o mesmo lado” e interagem com a jornada. O primeiro objetivo é angariar o dinheiro necessário para a compra do carro que dará a volta ao mundo. Também nessa decisão os seguidores da página vão poder dar a sua opinião, segundo revela o aventureiro escalabitano.

O fascínio de Bernardo pelo mundo motorizado e por novas culturas ganhou outra dimensão aos 18 anos, quando trocou o Ribatejo pela cidade inglesa de Brighton para estudar Engenharia Automóvel. Inserido num ambiente universitário internacional e multicultural, forjou amizades que lhe abriram os horizontes, destacando-se a relação com um colega tibetano exilado. Foi este amigo que, em 2017, o desafiou a viajar até à Índia, onde cruzaram os Himalaias rumo à estrada mais alta do mundo aos comandos de motos Royal Enfield.

Antes do atual “Vamos Ver”, o currículo de Bernardo já contava com projetos que misturavam o espírito estradista com a expressão artística. Na série documental “Art Car”, comprou uma antiga carrinha Renault Express por 300 euros e percorreu mil quilómetros fora de estrada no centro e sul de Portugal. Ao longo do trajeto, vários artistas urbanos foram convidados a usar a carrinha como tela, unindo a arte efémera das cidades à natureza envolvente.

No entanto, a sua maior prova de fogo aconteceu em 2023, durante o projeto “Engata a Primeira”. Quase por acaso, juntou-se a dois amigos — um deles que mal conhecia — e partiram de Portugal rumo ao Cazaquistão num modesto Citroën AX comprado por mil euros. A odisseia de 14 mil quilómetros esteve repleta de percalços, desde a junta da cabeça do motor que queimou na Turquia e foi reparada de um dia para o outro por mecânicos locais, até ao abandono planeado do veículo no Quirguistão, onde acabou doado para ajudar nas práticas agrícolas nas montanhas.

A Filosofia de Estrada: “O essencial é não morrer”

Para Bernardo Marona, o excesso de planeamento não pode anular o espírito da aventura. A sua regra de ouro é crua, mas simples: “O mais importante e o essencial é não morrer”. O viajante acredita que os entraves logísticos acabam sempre por se resolver com uma mente aberta e com a hospitalidade das populações locais.

A sua expedição à Ásia Central foi o exemplo perfeito dessa teoria. O grupo conseguiu os complexos vistos russos deixando os passaportes numa mercearia aleatória em Lisboa, arrancou de Portugal com o documento do carro ainda provisório e chegou a demorar mais de 12 horas para percorrer apenas 200 quilómetros numa estrada esburacada em pleno deserto cazaque. Em contrapartida, beneficiaram de uma hospitalidade extrema, sendo acolhidos numa luxuosa mansão no Uzbequistão e usufruindo de spas surpreendentes no Quirguistão, provando que é no improviso que nascem as melhores memórias.

No seu horizonte moram ainda dois grandes sonhos por cumprir. O primeiro é participar no lendário Rali Dakar como amador, dando asas à paixão pelos desportos motorizados que tem desde criança, enfrentando os duros desafios de navegação e resistência da prova rainha da modalidade. O segundo é completar a rota ideal de uma volta ao mundo, cruzando os cinco continentes, numa viagem que deve demorar mais de dois anos. Por agora, o foco mantém-se no “Vamos Ver” — cêntimo a cêntimo, seguidor a seguidor, rumo à linha de partida.

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