Autarcas reúnem esta segunda-feira com Ministra da Saúde para travar fecho das urgências no Hospital de Vila Franca de Xira

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A contestação ao encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Vila Franca de Xira chega esta segunda-feira ao Ministério da Saúde. Autarcas dos concelhos servidos pela unidade hospitalar reúnem-se com a ministra da Saúde para tentar reverter a decisão, depois da manifestação realizada este sábado junto ao hospital.

O protesto juntou utentes, movimentos cívicos e responsáveis autárquicos numa concentração convocada pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, pelas comissões de utentes do Estuário do Tejo e pela Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde.

Em causa está o encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia do hospital, que serve cerca de 250 mil habitantes dos concelhos de Vila Franca de Xira, Alenquer, Azambuja, Arruda dos Vinhos e Benavente. Com a decisão, as grávidas passarão a ser encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Durante a manifestação, autarcas alertaram para o impacto da medida no acesso aos cuidados de saúde.

O presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, afirmou que a contestação reúne diferentes setores da região.
“Esta é uma luta que é de todos. Não estão em causa aqui questões partidárias. Estamos a falar de um possível retrocesso na qualidade de vida e de um desmantelamento de serviços no nosso Hospital de Vila Franca de Xira”, disse.

O autarca destacou também o aumento das distâncias que algumas populações terão de percorrer para chegar a uma maternidade.
“No caso da população de Alenquer vamos ter pessoas a cerca de 50 quilómetros da maternidade mais próxima. Isso é um retrocesso enorme na qualidade de vida que não podemos aceitar”, afirmou.

Outra preocupação apontada pelos autarcas é o impacto no trabalho das corporações de bombeiros e no transporte de doentes urgentes, que poderão ficar mais tempo ocupados em deslocações para outras unidades hospitalares.

A vice-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Marina Tiago, considera que a decisão não pode ser analisada apenas do ponto de vista técnico.
“Não é apenas uma questão de atendimento ao nível da urgência. Há todo um conjunto de recursos e infraestruturas que vão ficar sobrecarregados com esta necessidade de deslocação”, afirmou.

Segundo a autarca, o encontro com a ministra da Saúde será uma oportunidade para exigir esclarecimentos e apresentar as preocupações da região.
“Levamos ainda a esperança de que esta não seja uma solução irreversível. Queremos perceber quais são os critérios técnicos desta decisão e colaborar na construção de soluções”, disse.

Também o vereador da Câmara de Azambuja, António Torrão, criticou o encerramento de serviços numa unidade hospitalar relativamente recente.
“Levamos tantos anos a lutar para termos um hospital novo e depois começamos a fechar serviços que são extremamente importantes para a população”, afirmou.

O autarca alertou ainda para as dificuldades de deslocação das grávidas, sobretudo nas zonas mais afastadas do território.
“Uma grávida que venha do alto do concelho pode ter de fazer cerca de 70 quilómetros para chegar a Loures. Em muitos casos não existe ligação direta de transportes”, disse.

Para já, os autarcas aguardam o resultado da reunião desta segunda-feira com a ministra da Saúde, esperando que o Governo reavalie a decisão e garanta a continuidade das urgências de obstetrícia e ginecologia no Hospital de Vila Franca de Xira. Entretanto, continua a recolha de assinaturas num abaixo-assinado que será entregue na Assembleia da República.

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