O presidente da Câmara da Chamusca alertou hoje que oito dos 11 municípios da Lezíria do Tejo ficaram fora do estado de calamidade, apesar de registarem prejuízos “de milhões”, indicando que a CIM vai exigir ao Governo a integração.
“O que se passa na Chamusca passa-se em todos os municípios da Lezíria. Há prejuízos muito avultados em todos os concelhos”, afirmou hoje à Lusa o presidente da Câmara da Chamusca, no distrito de Santarém, referindo “não compreender quais os critérios que o Governo está a ter”.
Segundo Nuno Mira, no caso do seu município, os danos em infraestruturas, sobretudo em estradas, “são de milhões de euros”, estando ainda em curso a avaliação dos prejuízos, tendo adiantado que a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Lezíria do Tejo realiza uma reunião esta tarde, “de urgência”, para reclamar a inclusão dos oito concelhos não abrangidos.
Dos 11 concelhos que integram a CIM da Lezíria do Tejo, apenas Santarém, Golegã e Rio Maior estão abrangidos pela resolução do Conselho de Ministros que declarou a situação de calamidade, ficando de fora Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche e Salvaterra de Magos.
“Há municípios que estão a ter apoio, cujas empresas e famílias estão a ter apoio, e há outros que ficaram de fora. Não compreendemos quais são os critérios que o Governo está a ter”, reiterou.
“A Chamusca tem 740 quilómetros quadrados de território, somos o 21.º maior concelho do país, temos muito mais estradas e não compreendemos como é que somos deixados de fora quando sofremos os mesmos danos que outros municípios que estão incluídos”, notou.
Segundo o autarca, a exclusão dos restantes concelhos da Lezíria do Tejo deixa autarcas e populações “incrédulos” perante uma decisão que considera difícil de justificar, sublinhando que “há municípios vizinhos, com a mesma realidade e os mesmos danos, que estão incluídos e outros que ficaram de fora sem que se perceba porquê”.
Nuno Mira adiantou que a CIM Lezíria do Tejo tem agendada para as 16:30 de hoje uma reunião urgente para concertar uma posição conjunta a apresentar ao Governo.
A situação de calamidade foi prolongada em Portugal continental até 15 de fevereiro, devido à continuação do mau tempo, tendo sido alargado para 68 o número de municípios abrangidos.
Além de prolongar a situação de calamidade, o Governo decretou também a situação de contingência nas zonas com maior risco de inundações.
Desde 28 de janeiro, a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta provocou 15 mortos em Portugal, além de centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o corte de estradas, escolas, transportes, energia, água e comunicações, bem como inundações e cheias, estão entre as principais consequências do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo anunciou um pacote de apoios até 2,5 mil milhões de euros para fazer face aos prejuízos causados pelo mau tempo.






