Criada em julho de 2025, a Associação Scalabitana de Emergência (ASE) afirma-se como um novo espaço de união, reflexão e desenvolvimento para os profissionais da urgência e emergência na região de Santarém.
Presidida por Alexandra Rebotim Azinhaga, enfermeira há 25 anos na área da urgência e emergência, especialista no doente crítico no Serviço de Urgência da ULS Lezíria e enfermeira de VMER há 21 anos, a associação prepara-se para dar o seu primeiro grande passo público com a realização do Congresso SCALABIS, agendado para os dias 23 e 24 de janeiro, na Escola Superior de Saúde de Santarém.
Em entrevista, Alexandra Azinhaga explica que a génese da ASE está enraizada na necessidade sentida pelos profissionais no terreno. “A criação da Associação Scalabitana de Emergência surge da necessidade e vontade sentida pelos profissionais da região de criar um espaço formal de partilha, reflexão e desenvolvimento na área da urgência e emergência”, afirma, acrescentando que “ao longo dos anos foi-se tornando evidente a importância de uma estrutura que reunisse profissionais de diferentes contextos, extra-hospitalar, hospitalar e até académico, com um objetivo comum, melhorar a qualidade dos cuidados prestados em contextos de emergência”. Para a presidente, esta não é uma associação corporativa, mas antes um projeto construtivo. “Mais do que responder a necessidades dos profissionais da emergência, a associação nasce da vontade de construir soluções sustentadas, promover formação contínua e valorizar o conhecimento e a experiência acumulados nos vários contextos”, sublinha.
Sobre os propósitos da ASE, Alexandra descreve uma missão abrangente e agregadora. “A Associação Scalabitana de Emergência tem como principais propósitos a promoção da formação contínua, o intercâmbio de conhecimento científico e técnico, a valorização dos profissionais de emergência, o contributo ativo para a melhoria da qualidade e segurança dos cuidados prestados à população e até mesmo a promoção de atividades de encontro e lazer entre profissionais da área, que bem precisamos”, refere. A associação quer igualmente assumir um papel de ponte entre diferentes atores do sistema de saúde. “Pretendemos ser uma entidade ativa e agregadora, de ligação entre profissionais, instituições de saúde, entidades formadoras e a comunidade, fomentando uma abordagem integrada à urgência e emergência médica, baseada na evidência científica, experiência e conhecimento”, acrescenta.
Ao fazer o ponto de situação da emergência médica na região, Alexandra Azinhaga traça um retrato equilibrado entre conquistas e desafios. “Dispomos de profissionais altamente qualificados, com elevada experiência e capacidade de resposta em contextos exigentes”, reconhece, mas alerta que “tal como noutras zonas do país, enfrenta desafios significativos, como a pressão crescente sobre os serviços, a escassez de recursos humanos e a complexidade cada vez maior dos cenários clínicos”. A falta de profissionais é, na sua perspetiva, o problema mais crítico. “As dificuldades com os recursos humanos é o que marca mais a agenda atual, porque os recursos são finitos, são os mesmos que têm de assegurar dentro e fora do hospital, talvez equipas dedicadas à urgência e emergência seja uma solução para o futuro”, defende.
Apesar destas limitações, destaca o compromisso das equipas. “Existe um forte espírito de equipa, grande capacidade de adaptação, uma preocupação constante com a melhoria contínua e até mesmo com incremento de meios diferenciados em zonas mais periféricas”, afirma, concluindo que “são todos estes aspetos que justificam e reforçam a importância de iniciativas como o Congresso SCALABIS, que promove união, partilha de conhecimentos, reflexão sobre as práticas e evolução dos contextos”.
O primeiro Congresso SCALABIS assume-se como um momento central na afirmação pública da associação. “O principal objetivo do Congresso SCALABIS é criar um espaço de atualização científica, reflexão técnica e partilha de experiências entre profissionais da emergência médica”, explica a presidente da ASE, acrescentando que “pretendemos discutir boas práticas, inovação, desafios atuais e futuros da emergência, promovendo uma visão integrada do cuidado, desde o contexto extra-hospitalar até ao hospital”.
O evento terá uma forte dimensão nacional e internacional. “Vai decorrer dia 23 e 24 de janeiro na Escola Superior de Saúde de Santarém, contamos com a presença de congressistas de referência destas áreas, ligados a associações e ao ensino superior na área da saúde, bem como do sector empresarial”, refere. “Estarão presentes palestrantes de norte a sul do país, de diversas Unidades Locais de Saúde, do Instituto Nacional de Emergência Médica, do Instituto Português do Sangue e Transplantação e instituições internacionais como os Médicos Sem Fronteiras e a Organização Mundial de Saúde”, adianta, sublinhando que “o congresso visa também reforçar redes de colaboração e contribuir para a harmonização de práticas, com impacto direto na qualidade dos cuidados prestados aos doentes”.
Questionada sobre se a ASE será uma associação reivindicativa, Alexandra Azinhaga rejeita essa ideia de forma inequívoca. ”A ASE jamais estará associada a uma lógica reivindicativa, pelo contrário, a nossa visão e propósito serão sempre construtivos”, afirma. Para a presidente, o foco está claramente nos doentes. “O nosso foco está nos doentes e na qualidade dos cuidados que lhes são prestados em contexto de urgência e emergência, reconhecendo que isso passa inevitavelmente pela formação, valorização e bem-estar dos profissionais”, acrescenta, defendendo que “acreditamos que a melhoria da emergência médica faz-se através do conhecimento, da cooperação e da construção de soluções partilhadas, sempre com o doente no centro da nossa ação”.
Quanto ao futuro, Alexandra deixa claro que o congresso é apenas o início de um percurso mais ambicioso. “O Congresso SCALABIS é apenas o primeiro grande passo”, afirma, detalhando que “a médio prazo, a ASE pretende dar continuidade à organização de eventos científicos, cursos de formação, workshops temáticos e iniciativas de atualização e partilha de boas práticas”.
As parcerias serão uma prioridade estratégica. “Está também nos nossos objetivos reforçar parcerias com instituições de saúde, entidades formadoras, estruturas operacionais e outras associações de profissionais desta área, bem como incentivar projetos de investigação e inovação na área da urgência e emergência”, refere, concluindo que “a atividade da ASE numa perspetiva futura estará sempre associada à melhoria dos cuidados prestados em contexto de urgência e emergência e à valorização desses profissionais”.





