A Biblioteca Municipal da Chamusca acolheu, este sábado, a sessão de apresentação do livro O Retorno da Deusa-Mãe, da autoria de Aurélio Lopes, numa iniciativa aberta ao público e dedicada à reflexão histórica, religiosa e antropológica.
Na obra, o autor analisou a figura de Maria no Cristianismo, pouco relevante nos textos bíblicos canónicos, mas que viria a ganhar destaque através de escritos apócrifos mais tardios e da introdução, em dois Evangelhos, do complexo textual do Natal, durante o século IV.
De acordo com Aurélio Lopes, o culto mariano desenvolveu-se de forma progressiva, impulsionado por necessidades de género que o Cristianismo não conseguiu eliminar, bem como pela expressão virginal presente na Bíblia dos Setenta, o que conduziu à crescente afirmação de Maria no universo cristão.
O autor defendeu ainda que, perante lacunas de representação feminina, as massas devotas euro-mediterrânicas passaram a dirigir cada vez mais as suas devoções a Maria, entendida como a única divindade feminina num panteão quase exclusivamente patriarcal. Transformado no mais importante cerimonial católico, este culto manifestou-se como uma revivência das antigas divindades femininas ligadas à natureza e à fertilidade.
Segundo Aurélio Lopes, este processo deu origem ao “retorno da antiga Deusa-Mãe”, avatar da Terra e da Vida, que Maria veio a corporizar e a vivificar devocionalmente, ressurgindo enquanto paradigma panteísta que, cada vez mais, personifica.
Com esta obra, o autor apresentou a sua visão histórica e antropológica sobre a ascensão de Maria no Cristianismo, num encontro que reuniu leitores, investigadores e interessados em temas de religião e cultura, na Biblioteca Municipal da Chamusca.





