Amigos da Natureza de Alpiarça trabalham para preservar a biodiversidade no concelho

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Foto por: José Filipe, Paulo Rocha, Valdemar Ferreira, Joaquim Nascimento
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A Associação dos Amigos da Natureza de Alpiarça (AANA) são os guardiões do património natural da vila, que embora se possa pensar que é reduzido, é até bastante extenso e variado. Da Albufeira dos Patudos, à reserva Natural do Cavalo do Sorraia ou ao Paúl da Gouxa, sem esquecer o Tejo ou a Vala Real, o património natural alpiarcense vai das zonas ribeirinhas e húmidas até às zonas de floresta.

A conservação deste património é o principal objetivo da AANA. Liderada por Joaquim Nascimento, que preside à direção da associação, vai desenvolvendo iniciativas de promoção da proteção do meio ambiente junto da comunidade alpiarcense, especialmente junto dos mais jovens, onde sentem que é necessário haver um trabalho mais árduo, pois são os mais pequenos que vão assegurar o futuro de todos nós.

A origem da AANA remonta há cerca de sete anos, como secção da Sociedade Filarmónica Alpiarcense. Joaquim Nascimento, Pedro Branco e um grupo de amigos uniram o amor pela fotografia e pela Natureza para fundar a secção na centenária Sociedade Filarmónica. Para terem melhores condições para desenvolver o trabalho de proteção do ambiente decidiu-se tornar a secção numa associação, estatuto que atingiu em março de 2023.

Embora o território do Paul da Gouxa tenha uma gestão conjunta entre a Câmara Municipal de Alpiarça e a Quinta da Atela, a AANA faz a monitorização das espécies presentes no paul e dinamiza as visitas ao local, especialmente as dos alunos do Agrupamento José Relvas, explica o ex-professor de educação física, Joaquim Nascimento.

O responsável pela monitorização de espécies é Paulo Rocha. A paixão pelas aves e insetos, especialmente da ordem odonata (libélulas e libelinhas) em que é especialista, levou-o à observação destas espécies no paul em 2019, travando depois conhecimento com a associação à qual acabou por integrar. Durante a visita que o NS fez ao paul, Paulo Rocha explicou que o património natural no local é vasto contando, por exemplo com “39 espécies da ordem odonata, sendo que temos 64 espécies a voar em Portugal”, explica o especialista. Doninhas, gansos selvagens, abelharucos, águias calçadas, lontras, cágados, saca-rabos ou até uma espécie de escaravelhos necrófagos fazem parte do compêndio de espécies que habitam naquele ecossistema.

“O biotopo aqui é dos mais ricos da zona centro, porque dá para observar a transição do montado para floresta e para zona húmida”, vinca Paulo Rocha.

No campo da flora, Paulo Rocha explica que se encontra também um núcleo de funcho-limão, uma espécie que foi apenas dada a conhecer ao mundo em 2019 e bastante rara de encontrar a Sul do rio Tejo. O salgueiro-negral é também uma das espécies “estrela” do paul. Mas a estrela da companhia, e que levou o espaço à classificação de reserva é a turfeira.

Descoberta pela bióloga Ana Mendes, uma das fundadoras da AANA, a turfeira estende-se ao longo de 90 hectares e estima-se que tenha cerca de 9 mil anos, já que há zonas em que atinge os 9 metros de profundidade, sendo que cresce nove milímetros por ano. A turfeira é uma acumulação de resíduos de madeira e outros, que ao ficarem submersos sofrem transformações químicas que os transformam em turfa, em vez de ocorrer os processos naturais de degradação. As turfeiras desempenham um papel essencial na mitigação das alterações climáticas e na preservação da biodiversidade. Apesar de cobrirem apenas 3% da superfície da Terra, armazenam duas vezes mais carbono do que todas as florestas do mundo juntas contendo mais do que 600 gigatoneladas de carbono, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Estatuto de utilidade pública é o próximo passo

Obter o estatuto de utilidade pública é o próximo passo que a direção da associação estabelece. José Filipe, diretor e responsável pela comunicação da AANA, explica que isso pode trazer algumas vantagens, especialmente ao nível financeiro, já que passa a poder usufruir de doações por mecenato, o que irá ajudar a associação a ter mais meios para desenvolver atividades com maior relevância.

Crescer em número de sócios é outra das ambições. Com já cerca de 150 sócios, o objetivo é aumentar o número quer para que a associação seja auto-sustentável, quer para que as atividades sejam cada vez mais participadas, podendo alargar o espetro de atividades para os restantes elementos do património natural da vila, como a albufeira dos Patudos, o parque ribeirinho do Carril ou até a margem do rio Tejo

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