O concelho de Alpiarça vai avançar com uma intervenção considerada urgente nos seus diques, após anos sem manutenção, no âmbito dos contratos-programa assinados pelo Governo para responder aos estragos causados pelas recentes intempéries na região do Tejo.
A assinatura dos acordos foi presidida pela Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que sublinhou a necessidade de uma resposta célere, afirmando que as intervenções “têm de avançar rapidamente” para garantir a segurança das populações. No total, foram formalizados 26 contratos, integrados num pacote de 35 milhões de euros financiado pelo Fundo Ambiental, destinado a cerca de 40 municípios.
No caso de Alpiarça, o apoio financeiro ronda os 160 mil euros e incide numa primeira fase de intervenção focada na limpeza dos três diques do concelho, uma prioridade há muito identificada pela autarquia.
A Presidente da Câmara Municipal, Sónia Sanfona, foi clara quanto ao estado das infraestruturas. “Temos uma situação complicada, com os diques que não têm intervenção há bastante tempo, já há bastantes anos”, afirmou, sublinhando que a falta de manutenção se tornou evidente durante os episódios de cheia.
“Fomos acompanhando durante as cheias, com muita preocupação, o estado dos diques”, acrescentou, evidenciando o risco associado à degradação destas estruturas de proteção.
A autarca explicou que esta fase inicial é essencial para preparar intervenções mais profundas. “Esta primeira fase diz respeito à limpeza dos três diques, de maneira a que depois se possa fazer a avaliação relativamente à estrutura e, numa segunda fase, se possa fazer a intervenção na estrutura, que é aquilo que é expectável”, disse.
Apesar de reconhecer que o financiamento agora assegurado é limitado, Sónia Sanfona considera-o determinante. “Neste momento, o nosso contrato de financiamento é de cerca de 160.000 euros e destina-se apenas a essa intervenção”, referiu, apontando para a necessidade de dar continuidade aos trabalhos.
Para além dos diques, a presidente da autarquia chamou a atenção para outros problemas estruturais agravados pelas intempéries, nomeadamente nas linhas de água do concelho. “Houve linhas de água que ficaram cobertas, outras que ficaram destruídas, e nós elencamos essas situações”, afirmou.
Entre os casos mais preocupantes está a vala real, que apresenta vários constrangimentos. “A vala real continua com problemas de infestantes e tem, nas travessias, sobretudo nas duas obras de arte a norte, situações que estão estruturalmente em risco”, alertou.
A autarca destacou ainda os efeitos diretos das cheias, que agravaram o estado destas infraestruturas. “Com as cheias ficaram árvores caídas sobre a vala, e esse será outro nível de intervenção, sobretudo ao nível da limpeza”, explicou.
Sónia Sanfona sublinhou que, apesar das várias necessidades identificadas, a prioridade imediata é inequívoca. “O prioritário é avançarmos para a questão dos diques, que era uma coisa que nos preocupava há muito tempo”, afirmou.
A responsável considerou também que o contexto atual pode servir de oportunidade para resolver problemas antigos. “Esta situação acaba por ser uma oportunidade para regularizar algumas dessas questões que já vinham de trás”, concluiu.
As intervenções agora anunciadas inserem-se numa resposta mais ampla aos danos provocados pelas intempéries, procurando não só reparar os estragos, mas também reforçar a resiliência dos territórios ribeirinhos.






