O presidente da Câmara de Almeirim afirmou hoje que a autarquia está a acompanhar a evolução dos caudais do Tejo e admitiu que poderá ser necessário cortar a Estrada Nacional 114 entre Almeirim e Tapada, bem como algumas ruas.
Segundo Joaquim Catalão, é expectável que a água atinja algumas vias, tanto na cidade de Almeirim, como na freguesia de Benfica do Ribatejo, estando o município a monitorizar a situação “ponto a ponto” ao longo das próximas horas.
Na Tapada, uma das zonas mais expostas em episódios de cheia, os bombeiros mantêm presença permanente, não havendo para já indicação de problemas significativos.
Joaquim Catalão adiantou que não houve necessidade de evacuações, mas que a autarquia está a distribuir sacos de areia a moradores das zonas mais baixas, como medida preventiva para evitar a entrada de água em habitações.
Para além da subida do rio, o concelho enfrenta ainda consequências da tempestade que atingiu a região na última semana. O autarca destacou a queda de postes de eletricidade e de árvores, bem como danos significativos no Parque de Merendas da Raposa, investimento concluído há quatro ou cinco anos e avaliado em cerca de 400 mil euros, que ficou “praticamente destruído”.
Também várias estradas municipais sofreram danos tanto durante a tempestade Kristin como devido à chuva intensa dos últimos dias, referiu.
Questionado sobre a capacidade de resposta do município, Joaquim Catalão disse que não vê necessidade de apoio externo nesta fase, considerando que os serviços municipais estão preparados para lidar com a situação, embora a evolução dos caudais possa obrigar a reavaliações.
O presidente recordou ainda a sua experiência como bombeiro antes de assumir funções políticas, afirmando que cheias nos campos da lezíria “são algo normal” para quem vive na região, embora compreenda a ansiedade de alguns residentes que não enfrentam situações semelhantes há vários anos.
“Seguindo as orientações da Câmara e da Proteção Civil, não é nada transcendente”, acrescentou.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.





