A vila de Alcanede, no concelho de Santarém, inaugurou este domingo, 22 de março, o novo Museu de Arqueologia instalado na Igreja Matriz, num momento que assinala um passo significativo na valorização do património histórico e cultural da região.
A cerimónia teve lugar após a celebração eucarística e contou com a presença de diversas entidades locais. O novo espaço museológico, instalado numa dependência lateral da igreja, reúne um conjunto relevante de achados arqueológicos, muitos dos quais identificados durante as recentes obras de conservação do edifício, realizadas com acompanhamento especializado.
Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, destacou o impacto do investimento na valorização do território. “Este é um património de enorme valor, não apenas para as gerações atuais, mas sobretudo para as futuras. Trata-se de um testemunho que passa agora a integrar o roteiro turístico do concelho, contribuindo para afirmar Alcanede como um destino de interesse cultural”, afirmou.
O espólio agora exposto cobre um amplo período cronológico, desde a Pré-História até ao século XIX, com especial incidência nas épocas medieval e moderna. Entre as peças em destaque encontram-se vários exemplares de lapidária funerária provenientes da antiga necrópole local, incluindo um conjunto notável de estelas datadas entre os séculos XIV e XVI.
Particular relevo é dado a uma rara cabeceira de sepultura do século XV, que apresenta, numa das faces, uma representação simbólica associada à Árvore da Vida e, na outra, uma inscrição gótica identificando o defunto, constituindo um testemunho singular no contexto nacional.
O acervo inclui ainda moedas da Primeira Dinastia, com incidência no reinado de D. Afonso V, objetos votivos, elementos do quotidiano doméstico e vestígios militares, como botões de fardas das guerras napoleónicas. Entre as peças mais enigmáticas encontra-se uma pedra votiva proveniente da antiga capela de Nossa Senhora das Neves, com inscrição latina e forte ligação à devoção local.
A criação do museu resulta do empenho da paróquia de Alcanede, sob a direção do padre Tiago Moita, dando continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito das intervenções de reabilitação da igreja. O projeto evidencia uma aposta clara na preservação da memória coletiva e na valorização de um património que testemunha séculos de história, fé e identidade comunitária.
Fundada em 1163 por D. Afonso Henriques e historicamente ligada à Ordem de Avis, Alcanede reforça assim a sua importância no panorama cultural regional, disponibilizando agora um espaço que se assume como um verdadeiro repositório da sua história.
Com a abertura do Museu de Arqueologia da Igreja de Alcanede, o concelho de Santarém dá mais um passo na promoção de um turismo cultural qualificado, contribuindo para afirmar o território no contexto regional e nacional.










