A Águas de Santarém aprovou o Plano de Atividades e Orçamento para 2026, já remetido à Câmara Municipal, num contexto económico ainda marcado pela inflação e por custos operacionais elevados. A empresa prevê uma atualização tarifária de 2,1% em 2026, alinhada com a inflação inscrita no Orçamento do Estado, considerando tratar-se de uma medida “prudente e socialmente equilibrada”, embora aquém do necessário para assegurar todas as necessidades de investimento e renovação de ativos.
O orçamento para 2026 traduz uma aposta forte no investimento, com um volume global próximo de 6 milhões de euros, um dos valores mais elevados dos últimos anos, o que representa um aumento de cerca de 38% face a 2025. Estão previstos cerca de 3,4 milhões de euros para saneamento e 2,3 milhões de euros para abastecimento de água, orientados para modernização de redes, redução de perdas, reforço da eficiência energética e melhoria da fiabilidade do serviço.
No saneamento, que absorve cerca de 57% do investimento, destaca-se a construção de novos sistemas nas freguesias de Abitureiras e S. Vicente do Paúl, em zonas ainda sem infraestruturas públicas de drenagem de águas residuais. O projeto inclui duas novas ETAR, 15 estações elevatórias, mais de 40 quilómetros de coletores e condutas elevatórias, e integra ainda a reabilitação de coletores em Santarém e obras na ETAR de Pernes, onde será instalado tratamento terciário com raios ultravioleta e um sistema de água para reutilização para rega.
No abastecimento de água, com cerca de 39% do investimento total, a Águas de Santarém prevê a estabilização de taludes e reabilitação do reservatório/EEAA de Santa Catarina, a construção de uma nova captação para o sistema da cidade e a reabilitação da estação elevatória da Ribeira de Santarém, que funcionará como alternativa operacional. Mantém-se ainda a substituição de redes em troços críticos, a renovação do parque de contadores e o reforço do cadastro e sistemas de informação geográfica, considerados centrais para a gestão e controlo das zonas de medição e controlo.
Para 2026, a empresa estima um volume de negócios de cerca de 12 milhões de euros, assente sobretudo nas vendas de água e saneamento, e rendimentos totais que ultrapassam os 14 milhões de euros. A atualização tarifária de 2,1% e a ativação das tarifas de saneamento para clientes sem rede disponível, em cumprimento das orientações da ERSAR, procuram compensar a pressão dos custos, num contexto agravado pela aplicação do regime de IVA pro rata no saneamento, que aumenta de forma significativa os gastos operacionais.
A empresa assume como prioridade a manutenção da qualidade exemplar da água para consumo humano, depois de em 2025 ter atingido 100% de água segura e ter sido distinguida pela ERSAR, prevendo o reforço dos programas de controlo da qualidade. Paralelamente, o plano para 2026 reforça a educação ambiental e as campanhas de sensibilização, o investimento em cibersegurança e sistemas de informação, a melhoria dos canais digitais com os clientes (incluindo contratação com reconhecimento biométrico) e a consolidação de políticas ESG focadas no bem‑estar dos trabalhadores e na sustentabilidade de longo prazo.






