Agricultura produz mais com menos trabalhadores, mas enfrenta falta de talento e envelhecimento

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A agricultura portuguesa está hoje mais produtiva e tecnológica, mas enfrenta desafios estruturais ao nível da mão de obra, qualificação e renovação geracional. As conclusões são de um estudo da CONSULAI, que analisa a evolução do trabalho no setor nas últimas décadas.

De acordo com o relatório, a produtividade agrícola mais do que duplicou nos últimos 30 anos, apesar da forte redução do número de trabalhadores. “A agricultura portuguesa está hoje mais produtiva, mais profissionalizada e mais orientada para a criação de valor, apesar de operar com menos recursos humanos”, refere o estudo.

O número de trabalhadores caiu de mais de 430 mil para cerca de 220 mil a tempo inteiro, refletindo uma transformação profunda do setor, impulsionada pela mecanização, modernização das explorações e reorganização empresarial.

Ao mesmo tempo, o emprego agrícola mudou de natureza. O estudo indica que “o emprego agrícola não desapareceu, mas transformou-se profundamente”, com uma redução significativa do trabalho familiar e um aumento do trabalho assalariado, que já representa cerca de 40% do total.

Outro dado relevante é a crescente dependência de mão de obra estrangeira. Em 2023, mais de 40% dos trabalhadores do setor eram estrangeiros, um valor que quadruplicou desde 2014. Segundo o estudo, esta realidade tornou-se estrutural: trata-se de uma força de trabalho “indispensável à competitividade e progresso da agricultura portuguesa”.

Além disso, os trabalhadores estrangeiros apresentam, em média, níveis de qualificação superiores aos nacionais. Enquanto apenas 2,7% dos trabalhadores portugueses têm formação superior, esse valor sobe para 7,5% entre os estrangeiros.

Apesar de um aumento salarial de cerca de 50% na última década, a remuneração média na agricultura continua abaixo da média nacional. “Este valor permanece significativamente inferior, o que limita a capacidade do setor para atrair talento jovem e qualificado”, alerta o documento.

O envelhecimento da população agrícola é outro dos principais problemas identificados. A idade média dos agricultores subiu para os 59 anos, evidenciando a dificuldade em garantir a renovação geracional.

Pedro Santos, diretor-geral da CONSULAI, sublinha a dimensão dos desafios. “Nos últimos anos, a agricultura portuguesa protagonizou uma transformação estrutural notável, tornando-se mais produtiva, mais profissional e cada vez mais tecnológica”, afirma, alertando, no entanto, para fragilidades persistentes.

“O futuro da agricultura em Portugal dependerá da nossa capacidade de qualificar pessoas, integrar tecnologia e valorizar o trabalho agrícola”, defende, acrescentando que, sem uma resposta clara, “corremos o risco de perder o dinamismo conquistado”.

O estudo aponta ainda para a crescente digitalização do setor, com a integração de tecnologias como automação, sensores e inteligência artificial, o que exigirá trabalhadores com novas competências técnicas e digitais.

Entre as principais recomendações, destacam-se o investimento na qualificação da mão de obra, a criação de políticas públicas eficazes e a necessidade de atrair jovens para o setor. A coordenação entre empresas, instituições de ensino e entidades públicas é também apontada como essencial para garantir a competitividade futura da agricultura portuguesa.

Apesar dos progressos alcançados, o relatório conclui que o setor enfrenta um momento decisivo, em que a capacidade de adaptação às novas exigências tecnológicas e demográficas será determinante para o seu desenvolvimento sustentável.

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