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Agricultores de Coruche juntam-se à CAP e exigem mais apoios para competir com Espanha

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A Associação de Agricultores do Concelho de Coruche e Vale do Sorraia (ASSOCOR), anunciou o seu “total alinhamento” com a posição assumida pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que exige ao Governo a disponibilização urgente de mais 140 milhões de euros em apoios diretos ao setor agrícola.

A posição foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Presidentes da CAP, reunido extraordinariamente no passado dia 28 de setembro, num contexto marcado pelo agravamento dos custos de produção e pela perda de competitividade da agricultura portuguesa.

Aos 140 milhões de euros agora reclamados somam-se os 60 milhões já anunciados pelo Governo. A CAP considera que um pacote global de 200 milhões de euros representa o mínimo necessário para reduzir a desvantagem competitiva dos produtores portugueses, sobretudo face a Espanha.

Para a ASSOCOR, o problema ultrapassa o simples aumento dos custos de produção. “O problema não é apenas produzir mais caro. É competir em condições diferentes”, refere a associação na nota de imprensa.

A entidade lembra que agricultores portugueses e espanhóis produzem no mesmo mercado europeu, disputam muitos dos mesmos clientes e integram cadeias comerciais semelhantes, mas têm beneficiado de níveis de apoio público muito diferentes. Segundo a ASSOCOR, em Espanha foram aprovadas medidas específicas para a agricultura no valor de cerca de 1.100 milhões de euros.

“Não estamos perante concorrentes distantes. Estamos perante produtores que colocam os seus produtos lado a lado, perante os mesmos compradores e consumidores”, sustenta a associação, que considera estar em causa uma questão de “reciprocidade e de equidade concorrencial”.

A ASSOCOR sublinha que esta realidade é particularmente sentida em Coruche e no Vale do Sorraia, territórios onde a agricultura mantém um peso relevante na economia regional. A associação recorda que, durante o InovMilho’26, realizado em Coruche, foi referido que, apenas no caso do milho, o aumento extraordinário dos custos com fertilizantes e combustível rondou os 300 euros por hectare.

“Não é possível pedir aos agricultores portugueses que continuem a investir, modernizar explorações, a aumentar a eficiência e, simultaneamente, que aceitem entrar no mercado em condições substancialmente mais desfavoráveis do que os seus concorrentes diretos”, afirma a associação liderada por Pedro Batista.

Na nota de imprensa, a associação relaciona ainda a competitividade agrícola com a segurança alimentar, defendendo que a redução da capacidade produtiva nacional aumenta a dependência das importações e deixa Portugal mais exposto a crises externas e alterações nos mercados internacionais.

“Reforçar a produção nacional não é, por isso, apenas uma questão do setor agrícola. É uma questão de segurança coletiva, de soberania alimentar e de resiliência do país”, sustenta a ASSOCOR.

A associação de Coruche estará representada no próximo dia 12 de outubro numa iniciativa nacional da CAP. Uma delegação composta por dirigentes associativos e representantes de diferentes setores produtivos vai deslocar-se ao Parlamento e à residência oficial do primeiro-ministro para entregar as reivindicações aprovadas pelo Conselho de Presidentes.

A ASSOCOR garante que estará presente para “levar a Lisboa a voz, as preocupações e a realidade dos agricultores de Coruche e do Vale do Sorraia”.

Segundo a direção da associação, “defender a competitividade da agricultura é defender a produção e os agricultores de Coruche e do Vale do Sorraia”, assegurando que estes possam continuar a produzir, investir e competir em condições consideradas justas no mercado ibérico e europeu.

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