A agricultura na Lezíria do Tejo e no Baixo Sorraia enfrentou em outubro um mês marcado por temperaturas acima do normal e fortes episódios de precipitação na segunda metade do período. As conclusões constam do Relatório do Estado das Culturas e Previsão de Colheitas, elaborado pela CCDR-LVT, referente a outubro de 2025.
Segundo o documento, a primeira metade do mês decorreu com máximas “bastante elevadas” e ausência de chuva até ao dia 19. A partir dessa data registou-se um cenário distinto, com “precipitação abundante e persistente”, por vezes forte. A humidade relativa também aumentou significativamente. Apesar das condições adversas, não se verificaram faltas de água para as culturas nem para o abeberamento de animais. No final do mês o teor de água no solo mostrava melhorias face ao período anterior, embora com variação entre concelhos da região.
O impacto do clima foi visível em várias culturas. No olival, o início do mês com dias quentes e noites frescas favoreceu a lipogénese, ou seja, a acumulação de azeite no fruto. Na variedade Arbequina a colheita ficou praticamente concluída, enquanto as variedades mais tardias como Cobrançosa, Picual e Arbosana continuavam em maturação. A produtividade é estimada como ligeiramente superior ao ano anterior e a qualidade dos frutos mantém-se boa, deixando antever “um ano bom de produção de azeite”.
Já nos citrinos verificou-se stress hídrico na primeira metade do mês. Os pomares de laranja apresentam desenvolvimento normal mas calibres irregulares e produtividade “bastante menor do que no ano anterior”. A qualidade final poderá ser inferior à das últimas campanhas, alerta o relatório.
Nas culturas cerealíferas e de regadio os constrangimentos também se fizeram notar. No milho de regadio para grão a colheita prosseguia a bom ritmo, prevendo-se uma produtividade inferior devido à presença do vírus do nanismo e a estragos causados por javalis. As chuvas do final do mês aumentaram a humidade do grão e diminuíram a qualidade em algumas explorações.
No arroz, cerca de metade da área estava colhida antes da mudança do estado do tempo. A qualidade do arroz já colhido é considerada normal, embora a colheita tenha sido condicionada pela precipitação e ventos que provocaram acama nas variedades mais altas. A avaliação final da campanha dependerá do clima das semanas seguintes.
Também a alimentação animal registou efeitos da meteorologia. As pastagens de sequeiro encontravam-se praticamente consumidas, sendo necessária a suplementação com fenos. Contudo, esse reforço não causou constrangimentos, devido à elevada disponibilidade de forragens armazenadas resultante de um ano produtivo. A colheita de milho para silagem ficou concluída, com boa qualidade nutricional apesar de uma produtividade ligeiramente inferior ao habitual.
As operações agrícolas para o próximo ciclo sofreram atrasos. A instalação das culturas de outono e inverno, sobretudo cereais praganosos, estava ainda por concretizar em grande parte da região. A colheita tardia de tomate e milho e a precipitação intensa nos últimos dias do mês levaram à suspensão das lavouras e da preparação dos solos para as novas sementeiras.
O relatório conclui que outubro decorreu sob condições muito variáveis, com uma primeira quinzena mais favorável ao trabalho agrícola e uma segunda metade marcada por chuva forte que interrompeu colheitas e atrasou o arranque da próxima campanha. Ainda assim, a disponibilidade de água mantém-se estável e não se registam cenários de rutura ou risco significativo para a produção na Lezíria e no Sorraia.





