21 anos a salvar vidas na estrada, VMER de Santarém ultrapassa 42 mil missões de emergência

Por 

Anúncio 1
Anúncio 2

A Viatura Médica de Emergência e Reanimação, VMER, do Hospital Distrital de Santarém assinalou 21 anos de atividade numa cerimónia integrada no SCALABIS, 1.º Congresso de Urgência e Emergência, iniciativa promovida pela Associação Scalabitana de Emergência. O momento reuniu profissionais ligados à emergência pré-hospitalar e destacou o percurso de uma equipa que, ao longo de duas décadas, tem garantido intervenção médica diferenciada no terreno, em articulação com o INEM, os bombeiros e as unidades hospitalares da região.

Na abertura da sessão dedicada à efeméride, o médico Sérgio Eufrásio, coordenador da VMER de Santarém, enquadrou a criação deste meio no processo de reorganização da emergência médica em Portugal e sublinhou o objetivo central do modelo. “Uma intervenção imediata, em que rapidamente as equipas chegam ao local”, referiu, lembrando que a VMER transporta capacidade técnica e material para estabilização e acompanhamento do doente até ao hospital.

O responsável apresentou também um retrato quantitativo da atividade, apontando para uma resposta que se mantém exigente num distrito com grandes distâncias e zonas mais afastadas. “Desde a criação até 2025, o número total de saídas excede já as 42.000”, afirmou. Segundo o coordenador, a partir de 2012 a atividade estabilizou num patamar anual que ronda, em média, as 2.1500 ocorrências, com uma média diária aproximada de sete saídas. No que respeita a tempos, indicou que, em 2024, a média entre ativação e chegada ao local se situou em torno dos 18 minutos, enquanto a permanência no local foi, em média, de 23 minutos, num tempo global aproximado de 45 minutos por ocorrência.

Entre os motivos mais frequentes de acionamento, Sérgio Eufrásio destacou a dor torácica e a alteração do estado de consciência, seguidas de paragem cardiorrespiratória, pedidos de apoio diferenciado e quadros de dispneia, num conjunto que espelha a diversidade de situações atendidas por este meio. Referiu ainda que, nas estatísticas de 2024, uma parte relevante dos casos não culminou em transporte hospitalar, por razões como ausência de recuperação em paragens cardiorrespiratórias, reversão de hipoglicemias no domicílio ou recusa de transporte.

A dimensão e o impacto do trabalho pré-hospitalar foram também realçados numa reflexão sobre avaliação de custos e resultados. “A viatura médica é uma extensão à rua do próprio hospital”, afirmou, defendendo que a análise não deve limitar-se ao custo da saída, por existirem efeitos menos visíveis, como internamentos evitados, redução de dias de internamento e funções neurológicas preservadas. O coordenador insistiu ainda na importância de equipas compostas por médico e enfermeiro, salientando que “os cuidados de saúde prestados no pré-hospitalar são os mesmos cuidados de saúde prestados no hospital”, com decisões partilhadas num contexto operacional com apenas dois elementos.

Um dos pontos assinalados na sessão foi a melhoria das condições logísticas. Sérgio Eufrásio referiu que está prevista para 2026 a concretização de uma instalação condigna para a VMER, após anos de funcionamento com limitações de base. Evocou igualmente o envolvimento em projetos orientados para reduzir impactos da distância em áreas mais remotas, apontando a relevância de meios de suporte intermédio em localidades afastadas da unidade hospitalar.

No segundo momento de intervenção, o enfermeiro Luís Duarte, coordenador de enfermagem da VMER de Santarém, agradeceu à organização do congresso a homenagem prestada, considerando-a um reconhecimento do trabalho de quem passou e de quem continua em funções. “É reconhecer o trabalho que todos os que passaram e os que presentemente trabalham fazem em prol da emergência e dos nossos doentes”, afirmou. O enfermeiro salientou ainda o efeito direto do socorro diferenciado na cadeia assistencial, indicando que a estabilização no terreno contribui para entradas hospitalares em melhores condições clínicas e para a redução de complicações.

Sem ocultar dificuldades sentidas ao longo dos anos, desde questões relacionadas com viaturas a constrangimentos de escalas, Luís Duarte apontou para incertezas futuras no setor, referindo a discussão pública em torno de mudanças no INEM. Ainda assim, defendeu a continuidade de uma resposta robusta, assente na experiência acumulada e no trabalho em equipa, que considera determinante para a emergência na região.

A cerimónia incluiu ainda momentos de reconhecimento a antigos coordenadores e profissionais, reforçando a ideia de percurso coletivo. Na sessão, foi repetida a mensagem de que, na emergência pré-hospitalar, a capacidade técnica é indissociável da dedicação e da confiança entre elementos, numa missão que se prolonga para lá do local da ocorrência, acompanhando o doente no circuito hospitalar e nos cuidados subsequentes.

Ao assinalar 21 anos, a VMER do Hospital Distrital de Santarém apresentou-se, no âmbito do SCALABIS, como um pilar do socorro diferenciado no distrito, com um histórico de milhares de intervenções e com perspetivas de melhoria estrutural ao longo de 2026, num caminho que profissionais e entidades envolvidas sintetizaram como o essencial, salvar vidas e fazer a diferença quando o tempo é determinante.

Por 

Anúncio 5
Anúncio 6
Anúncio 8

Conteúdo relacionado

Partilhar notícia

Partilhe através das redes sociais:

ou copie o link:

[current_url]