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SCALABIS estreia-se em Santarém e junta urgência, inovação e humanização num debate do pré ao intra hospitalar

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Santarém recebeu esta sexta-feira, 23 de janeiro, o arranque do SCALABIS, 1.º Congresso de Urgência e Emergência, uma iniciativa promovida pela Associação Scalabitana de Emergência, em parceria com a ULS Lezíria, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Santarém e a Escola Superior de Saúde de Santarém. O encontro decorre hoje e amanhã, 24 de janeiro de 2026, no auditório da Escola Superior de Saúde, com o objetivo de se afirmar como um espaço de referência nacional para a partilha de conhecimento, inovação e boas práticas na emergência médica.

O tema escolhido, “Do Extra ao Intra Hospitalar: Humanização, Inovação e Desafios”, orienta um programa centrado na realidade de quem trabalha na linha da frente, em contexto pré-hospitalar e dentro do hospital, num momento em que os serviços vivem pressão assistencial, escassez de profissionais e complexidade clínica crescente.

“Nasce do terreno”, a urgência como equipa e como pessoa

Na sessão de abertura, Alexandra Rebotim Azinhada, enfermeira e presidente da Associação Scalabitana de Emergência, enquadrou o congresso como resultado de uma necessidade sentida há muito tempo por quem decide em segundos. “Este congresso nasce de uma vontade antiga, amadurecida no terreno, nas decisões difíceis tomadas em segundos, mas com grande impacto em tantas vidas”, afirmou, sublinhando a ligação entre gerações de profissionais e a ambição de “todos juntos fazermos a diferença”.

A responsável insistiu que a urgência e a emergência não se esgotam na técnica. “Convictos de que a urgência e a emergência são muito mais do que técnica. São pessoas e equipas. Humanidade, inovação e resiliência”, disse. A presidente da associação recordou ainda o percurso recente da estrutura que organiza o evento, referindo que, “há cerca de sete meses, 11 profissionais tiveram a ousadia de fundar” a associação, a que “se juntaram mais 17”, contando já “com mais de 50 associados” e com “mais de 180 congressistas” reunidos nesta primeira edição.

Sobre o tema do congresso, Alexandra Azinhada explicou que reflete uma visão de continuidade de cuidados, “um sistema integrado, contínuo, onde o cuidado não se fragmenta”, defendendo uma prática em que “a excelência clínica caminha lado a lado com a empatia, a comunicação e o respeito pelo doente e pelas equipas”.

Num diagnóstico direto, apontou também os fatores que hoje pressionam a urgência. “O contexto político e económico, a pressão sobre o sistema de saúde, a escassez de recursos humanos, a crescente complexidade clínica e a necessidade constante de atualização colocam enormes desafios aos profissionais de urgência e emergência”, afirmou, acrescentando que é nesses contextos que “surgem as maiores oportunidades de crescimento, inovação e mudança sustentadas pela experiência” e pela evidência científica que deve ser partilhada.

Escola Superior de Saúde sublinha dimensão e futuro da formação e simulação

A anfitriã do encontro, a professora Hélia Dias, Diretora da Escola Superior de Saúde de Santarém, abriu a sua intervenção com uma mensagem de acolhimento e com o reconhecimento do alcance da iniciativa. “É para nós uma honra poder acolher tão prestigiado evento”, afirmou, considerando que, mesmo sendo uma primeira edição, “este é um grande congresso”, seja “pelo tema, pelos desafios, pela qualidade” dos intervenientes e pela organização.

A responsável deixou ainda uma leitura realista do setor, lembrando que a saúde é marcada pela imprevisibilidade e que os serviços podem oscilar rapidamente entre normalidade e caos. E aproveitou para enquadrar o papel da escola na resposta às exigências atuais, apontando o investimento em simulação clínica como um eixo de futuro. Referiu que decorrem obras de ampliação, com um novo piso “dedicado à área da simulação”, incluindo espaços pensados para recriar contextos de bloco operatório, cuidados intensivos e internamento, além de salas associadas a tecnologias emergentes.

A Diretora sublinhou também a importância da evidência e da investigação no quotidiano clínico, referindo a ligação a estruturas científicas e a intenção de reforçar projetos em parceria com as entidades da região.

“Emergência com alma” e o quotidiano da urgência descrito por quem coordena cuidados

Na mesma sessão, a enfermeira diretora Fátima Lopes destacou a dimensão transversal do programa científico, referindo uma estrutura assente em vários painéis, com foco em reanimação, desempenho de equipas, liderança, catástrofe e tomada de decisão, incluindo a inteligência artificial. Enquadrou ainda a necessidade de uma atuação multidisciplinar em contexto de crise, lembrando que a resposta não pode ser apenas individual quando estão em causa necessidades clínicas, psicológicas e sociais.

Num dos momentos mais concretos da manhã, descreveu o dia a dia de um enfermeiro de urgência como “uma vida dinâmica”, centrada no acolhimento e na triagem, com procedimentos de elevada complexidade, gestão de fluxo de doentes e resposta permanente ao imprevisto. Enumerou desafios como a pressão emocional, a simultaneidade de casos, a sobrelotação e a necessidade de atualização contínua, defendendo como características essenciais a decisão rápida, a destreza técnica, a resiliência, a empatia e a humanização. E deixou uma nota de reconhecimento “aos profissionais” que atuam diariamente no serviço de urgência, salientando o “espírito de missão” em períodos críticos, como os picos sazonais de infeções respiratórias.

Município quer valorizar quem “garante que a ajuda chega a tempo”

Em representação do Município de Santarém, o vereador Pedro Gouveia considerou que o congresso traduz “o espírito de cooperação, partilha de conhecimento e de valorização do serviço público”, defendendo que a cidade tem “uma sólida história de compromisso com a saúde e a educação e a inovação”.

O autarca fez questão de reconhecer o trabalho dos profissionais e dos agentes de socorro, referindo “o papel fundamental” de médicos, enfermeiros, técnicos de emergência, bombeiros e restantes intervenientes que “diariamente garantem que a ajuda chega a tempo, mesmo nas situações mais adversas”. Para o município, o congresso tem igualmente “uma enorme dimensão simbólica”, ao reforçar Santarém como polo ligado ao doente crítico e à emergência médica, projetando a cidade como espaço de formação e conhecimento.

ULS Lezíria aponta investimentos e defende triagem por gravidade

A encerrar a sessão de abertura, o presidente do Conselho de Administração da ULS Lezíria, Pedro Marques, começou por apontar o essencial do tema do congresso, ligando humanização, rigor técnico e inovação assente em evidência. Referiu “um imenso respeito” por quem trabalha em urgência e emergência, pela exposição permanente ao sofrimento humano e pela complexidade do contexto.

O responsável defendeu a necessidade de “trazer cuidados humanizados a par com a excelência científica e com rigor técnico”, e de “trazer a inovação a par com a evidência e o conhecimento” que sustenta as melhores práticas, apelando a que os desafios sejam transformados em oportunidades.

Pedro Marques abordou ainda projetos em curso para melhorar condições operacionais, referindo com satisfação o avanço de uma empreitada ligada à base da resposta pré-hospitalar, com o objetivo de permitir uma saída “mais rápida, mais digna, mais qualificada”, e acrescentou que a ULS trabalha num plano diretor hospitalar que inclui a remodelação das urgências.

Na parte final, deixou também uma leitura sobre a organização do acesso, defendendo que a resposta deve ser por gravidade. Referiu que a orientação para respostas alternativas em situações não prioritárias tem permitido encaminhar melhor doentes e aliviar a urgência de casos menos graves, reforçando que “devemos atender por severidade da doença”, ainda que isso possa gerar insatisfação entre quem espera com prioridade baixa.

Dois dias para discutir reanimação, trauma, catástrofe e tecnologia, sem perder a pessoa

A organização apresenta o SCALABIS como ponto de encontro entre profissionais do pré-hospitalar e do hospital, reunindo temas como reanimação em contextos periféricos, trauma, catástrofe, competências não técnicas, saúde emocional dos profissionais e inteligência artificial na decisão. Para Alexandra Azinhada, o propósito é claro: “um espaço de partilha”, “um local de reflexão crítica sobre a prática clínica”, “um ponto de encontro entre profissionais” e, sobretudo, “um momento de valorização tão necessária de quem está na linha da frente”.

A presidente da associação deixou a ambição para esta primeira edição e para as próximas, desejando que os dias sejam “de aprendizagem, inspiração, debate construtivo e fortalecimento de laços profissionais e humanos”, com um objetivo comum, sair “mais preparados, mais unidos e, sobretudo, mais conscientes do impacto que o nosso trabalho e a humanidade tem na vida das pessoas”.

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